O cantor Netinho, um dos nomes marcantes do axé music, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido artisticamente como Netinho, enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. O artista estava internado após a doença voltar em 2026.
Dono de sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, Netinho conquistou o público brasileiro nos anos 1990 e se tornou um dos rostos conhecidos do Carnaval baiano. Com uma carreira que atravessou décadas, o cantor ajudou a levar o axé music para diferentes regiões do Brasil e também para o exterior.
Netinho nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, onde começou a desenvolver sua relação com a música.
Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão da mãe. Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), conciliando os estudos com apresentações musicais. Inicialmente, cantava em escolas e bares, com repertório de música popular brasileira e bossa nova.
A trajetória profissional ganhou impulso em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. No mesmo ano, alcançou projeção nacional com “Beijo na Boca”, música que abriu caminho para outros sucessos, como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida É Festa”.
Em carreira solo, Netinho consolidou seu nome na música brasileira. Lançada em 1996, “Milla” se tornou um de seus maiores sucessos e uma das canções mais associadas ao axé music. A música atravessou gerações e permaneceu presente em festas, shows e carnavais pelo país.
O cantor também realizou apresentações internacionais e participou da expansão do gênero para além do Brasil. Além da atuação nos palcos, investiu no mercado musical, com a criação de um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro e de um selo voltado ao lançamento de novos artistas baianos.
Em 2013, Netinho sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que provocaram complicações e o afastaram dos palcos por um período. Os problemas de saúde interromperam sua participação no Carnaval de Salvador por alguns anos.
Em março de 2025, o cantor anunciou que havia sido diagnosticado com um linfoma, após ser internado em Salvador com fortes dores e dificuldades para caminhar. Na época, compartilhou com os fãs informações sobre o tratamento.
Após uma melhora inicial, o artista revelou, em 2026, que a doença havia voltado. Ele retomou o tratamento e, no fim de setembro, foi internado novamente no Hospital Aliança Star, em Salvador. A equipe informou que Netinho se afastaria temporariamente das redes sociais para se dedicar aos cuidados médicos.
Entre 1997 e 2003, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna Trindade.
O cantor também teve uma passagem pela política. Em 2022, candidatou-se a deputado federal pelo Partido Liberal (PL), mas não conseguiu se eleger. Naquele período, declarou apoio ao então presidente Jair Bolsonaro e participou de manifestações favoráveis ao político, posicionamento que gerou críticas.
Com sua morte, a música brasileira perde uma das vozes associadas à popularização do axé nos anos 1990. Suas canções, especialmente “Milla”, permanecem ligadas à memória afetiva do Carnaval e de gerações de fãs.