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Arlindo Cruz vivia o Carnaval e compôs para escolas como a Império Serrano

Além de ter feito parte do Fundo de Quintal e depois carreira solo, artista também era figura frequente nas competições de samba-enredo
Agência FolhaPress

Publicado em 08 de Agosto de 2025 às 16:39

Cantor Arlindo Cruz
Cantor Arlindo Cruz Crédito: Glaucilene Felix/Folhapress
Arlindo Cruz, um dos principais músicos do país, morto nesta sexta-feira (8), aos 66 anos, vivia o samba. Além da sua importância histórica, seja como parte do Fundo de Quintal, seja com os discos de sua carreira solo, o artista também era figura frequente nas competições de samba-enredo nos desfile do Carnaval na Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Ao longo de sua carreira, compôs para escolas como a Império Serrano, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos de Vila Isabel e Leão de Nova Iguaçu, tendo vencido o Estandarte de Ouro -um dos principais prêmios extraoficiais do calendário carnavalesco- em seis ocasiões, nos anos de 1993, 2001, 2006, 2012 e 2013.
Mas sua favorita era Império Serrano, pela qual concorreu por 12 vezes. Em 2023, ele foi o homenageado da escola. Em um dos carros, havia uma imensa alegoria do artista, tocando banjo e usando uma coroa imperiana, símbolo da escola. O próprio músico participou, acompanhado da família e de uma equipe médica -ele sofreu um acidente vascular cerebral em 2017, que o deixou com graves sequelas.
O enredo, "Lugares de Arlindo" - cujo nome faz alusão a um dos principais sucessos do artista, "Meu Lugar", de 2007- também celebrou sua relação com a roda de samba Cacique de Ramos, essencial para sua formação como músico. Outro carro referenciava a religiosidade de Cruz, com uma escultura de 15 metros de altura de seu orixá, Xangô.
Cruz compôs diversos sambas-enredo durante sua carreira. Em 1989, escreveu seu primeiro enredo para o Império Serrano, "Jorge Amado, Axé Brasil", e continuou com a mesma escola até 2007. Também se destacou em 2012, quando compôs enredo sobre Angola para Vila Isabel, e no Grupo de Acesso A, no Império Serrano, dedicado à Ivone Lara.
Em 2013, o enredo que compôs para Vila Isabel, "A Vila Canta o Brasil, Celeiro do Mundo: 'Água no Feijão que Chegou Mais Um'" foi aclamado como o melhor samba do ano.
Cruz gravou alguns sambas-enredo, como "O Império do Divino" e "Aquarela Brasileira", do álbum "MTV Ao Vivo Arlindo Cruz". O artista também participou como comentarista das transmissões de desfile das escolas de samba do Carnaval do Rio, na Globo.

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