Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 13:49
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é uma exclusividade dos humanos. Sinais da condição também podem aparecer em outras espécies. Mariana Belloni, médica-veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, destaca que comportamentos compatíveis com o distúrbio podem aparecer em cães, interferindo no bem-estar, na relação com a família e até na saúde física do animal. >
Conforme a médica-veterinária, muitos tutores confundem sinais de TDAH com “energia de sobra” ou falta de adestramento. “ Cães com transtornos de atenção apresentam um padrão persistente de hiperatividade, impulsividade e dificuldade de concentração que foge do esperado para a idade e para a raça. Quando isso começa a causar prejuízos ao animal ou à rotina da família, merece investigação clínica”, explica. >
A seguir, confira quais são os sinais que podem indicar que seu cão tem TDAH: >
O cão não consegue permanecer parado por mais de poucos segundos, mesmo em momentos de descanso. >
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Interrompe comandos repetidamente, não consegue manter a atenção durante treinos e se distrai com qualquer estímulo. >
Corre sem direção, pula em pessoas ou outros animais , reage rapidamente a estímulos e demonstra dificuldade de controle. >
Roupa, móveis, objetos, a destruição ocorre mesmo após exercícios físicos adequados. >
Dificuldade de relaxar, menor tempo de repouso e padrões de sono fragmentados. >
Reage de forma exagerada a sons, visitas ou movimentos ao redor. >
Pode apresentar vocalização excessiva, lamber ou morder as patas, ou demonstrar agitação intensa quando deixado sozinho. >
Segundo Mariana Belloni, o diagnóstico do TDAH em cachorros é clínico e envolve avaliação comportamental detalhada; análise de histórico de rotina e estímulos; além de exclusão de outras condições médicas, como distúrbios hormonais, dor crônica ou ansiedade de separação. “Não existe um único exame que confirme o TDAH em cães . O importante é observar padrões persistentes e como eles afetam a qualidade de vida”, complementa. >
Quanto ao tratamento, Mariana Belloni esclarece que é individualizado e pode envolver três pilares. “Modificação comportamental, com rotina de treinos curtos e frequentes e enriquecimento ambiental com a inclusão de brinquedos interativos, desafios olfativos e atividades mentais é uma das opções. É possível ainda fazer ajustes na rotina de exercícios entendendo a necessidade de trabalhar o físico e o mental e, nesses casos, atividades como farejamento e comandos de foco costumam ser mais eficazes. A terceira saída é fazer uso de medicamentos, quando indicados por um médico-veterinário”, salienta. >
Sem tratamento, o TDAH pode levar a aumento dos níveis de estresse , maior risco de acidentes e lesões, ganho ou perda de peso por ansiedade e dificuldade de socialização. “Quando manejado corretamente, o prognóstico é excelente. Cães com TDAH podem viver normalmente e serem extremamente felizes. O segredo é entender suas necessidades e oferecer suporte adequado”, conclui a médica-veterinária. >
Por Camila Crepaldi >
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