A globalização, as redes sociais, os influenciadores e as semanas de moda ao redor do mundo contribuem para o que já é - e o que ainda se tornará - tendência. Nos acostumamos com esse ritmo e talvez nem tenhamos percebido que existe uma coisa que ainda não mudou: as estações como parâmetro para o que veremos nas passarelas, nas vitrines e nas ruas, é claro. Por isso, essas são as apostas de HZ para a primavera-verão brasileira.
Nos últimos anos, o Brasil tem desenvolvido uma identidade cada vez mais própria na moda. Novas marcas, influenciadores e a própria rua têm grande responsabilidade nisso. Entretanto, assim como em boa parte do mundo, a moda europeia ainda dita o ritmo e isso pôde ser visto no outono-inverno deste ano.
Antes de falarmos sobre o que virá, é preciso contextualizarmos o que acabamos de deixar para trás. Saímos de um período em que todas as apostas foram menos ousadas e mais seguras, circulando por um terreno já conhecido e, de certa forma, queridinho do público, com estampas, como o poá, as listras e peças - como as jaquetas de couro.
Assim como na Europa, as principais apostas das últimas estações no Brasil foram mais previsíveis e menos arriscadas. Até por isso vivemos a volta das botas de cano mais alongado, de peças mais estruturadas e pesadas, como as jaquetas de couro e o jeans, do comprimento midi e das sobreposições.
Porém, é sempre bom lembrar: tudo que é muito seguro, padronizado e concreto uma hora pode cansar.
As tendências que serão vistas na primavera-verão brasileira
O que vem pela frente é justamente o oposto do que vivenciamos durante as últimas estações. Quem gosta de moda e acompanha o que está em alta pode se preparar para uma primavera-verão mais ousada, leve, colorida, maximalista e com um pouco de brilho, mas só um pouquinho para não pesar no look (risos).
Nas roupas
É a vez de roupas menos volumosas e pesadas, enquanto os acessórios ganham tamanho e ficam mais expostos. As roupas passam a ser leves e fluidas, como já adiantou a Elle Brasil. Sendo assim, veremos modelos com comprimentos mais curtos, com o retorno das mini saias e dos shortinhos, em tecidos como o linho e a renda, além de cores mais claras e vibrantes, como o turquesa, que já é tendência, o vermelho tomate e o amarelo manteiga.
As calças de modelagem mais tradicionais são deixadas um pouco de lado e os vestidos passam a ser as estrelas do look. Há espaço ainda para peças assimétricas e com uma pegada artesanal, com inspirações como o bordado, como apontou a WGSN.
Nos acessórios
No que diz respeito aos acessórios, veremos o maximalismo renascer. Os braceletes em tamanhos grandes prometem vir para ficar. Brincos e colares alongados também retornam. O mix de anéis também não pode faltar. Eles poderão ser vistos em tons de dourado e prata ou compostos por pedras, em uma pegada mais boho.
Já nos cabelos, a permanência dos lenços e bandanas pode praticamente ser cravada. As tiaras saem de cena e é a vez das presilhas reaparecerem. Os chapéus, presentes em momentos como o verão, também são opções para quem quer compor o look com estilo.
Por último, mas não menos importante, as bolsas não ficam de fora. Os modelos grandes ainda serão vistos. Dessa vez, no entanto, elas chegam mais coloridas ou com uma proposta mais naturalista, como em composições com palha, por exemplo.
Nos pés
Já se foi o tempo em que os calçados eram coadjuvantes. Na primavera-verão eles são mais estrelas do que nunca. Quando o assunto são eles, também saímos de uma era com itens mais fechados, de saltos tratorados e couro para um momento em que leveza e conforto são prioridade.
Teremos nos próximos meses o auge das sapatilhas, dessa vez em versões coloridas, com tiras à la bailarina, ou até mesmo em modelos feitos de plástico. Com menor força, os tênis ainda são uma opção para quem gosta de calçados fechados. No entanto, eles vêm em solados cada vez mais baixos e em cores menos clássicas. Eu apostaria que será a vez dos tons de rosa-claro, vermelho e laranja e de modelos como o Adidas Tokyo e o Onitsuka Tiger México 66.
O que perde força?
Com a mudança de estação, é perfeitamente normal que algumas tendências percam força. No Brasil, até pelas mudanças de clima, isso não é diferente. Cores como o vinho e o cinza ficam em menor evidência, assim como peças mais estruturadas, tal qual as jaquetas. Animal print, franjas e tricôs perdem espaço nas roupas e podem aparecer de maneira mais pontual, especialmente nos acessórios.
Nos pés é provável que botas de cano muito longo, saltos altos e tratorados, além de tênis “dad shoes” percam a força no período.
O que permanece?
Nem só de novas tendências vive a moda e o estilo. Muita coisa que já vimos e vestimos em 2026 permanece para os próximos meses. Um bom exemplo disso são as estampas mais clássicas. O poá e as listras continuam, mas dessa vez com uma proposta mais divertida, misturando cores como o marrom e o azul ou o rosa e o verde, por exemplo.
Os tamanquinhos de salto que foram sucesso durante a Copa não precisarão voltar para o armário. Eles seguem por mais algum tempo e poderão ser combinados com as calças capri, que são polêmicas, mas que também têm tudo para conquistar os brasileiros.
Velhos conhecidos até seguem presentes, mas terão que se readaptar. É o caso das bermudas, que eram febre em modelos jogger, porém, reaparecem mais curtas, justas e com uma proposta clássica. O mesmo ocorre com as saias, que passam de longas e volumosas para comprimentos midi, além da cintura baixa.
Assim, já ficou claro que a primavera-verão promete muitas novidades, não é mesmo? A moda não está simplesmente substituindo tendências, está tornando algumas delas mais leves, coloridas e adaptadas ao calor brasileiro. E HZ seguirá acompanhando cada uma delas. Fique por dentro das nossas publicações de moda e estilo acessando aqui.
Caro leitor
Barbara Nascimento é colaboradora de moda de HZ. As opiniões, análises e recomendações expressas em seus textos são de sua exclusiva responsabilidade e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial de HZ ou da Rede Gazeta.