Uma pesquisa publicada em julho de 2026 na revista científica Aesthetic Surgery Journal identificou redução média de 16 anos na idade aparente de 95 pacientes com características anatômicas de pescoço curto submetidos à combinação de cirurgias de rejuvenescimento facial e cervical. A estimativa foi feita por avaliadores a partir de fotografias e não representa reversão biológica do envelhecimento.
Conduzido pela cirurgiã plástica Danielle Gondim, especializada em rejuvenescimento facial e formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, em colaboração com o médico espanhol Francisco Bravo, o estudo registrou que 94,7% dos participantes estavam muito satisfeitos com os resultados. Os achados se referem ao grupo analisado e não constituem promessa de resultado individual.
O levantamento chama atenção para uma região que nem sempre recebe o mesmo cuidado dedicado às rugas e às linhas de expressão. A perda de definição entre a mandíbula e o pescoço também interfere na aparência do rosto, e sua origem pode envolver diferentes tecidos. Compreender essas alterações ajuda a evitar que uma mesma solução seja aplicada a necessidades distintas.
“O envelhecimento facial não acontece apenas na superfície da pele. Os músculos, a gordura e as estruturas de sustentação também passam por mudanças que interferem no contorno do rosto. Quando avaliamos essas características em conjunto, conseguimos compreender melhor o que precisa ser tratado, sem partir da ideia de que todos os pacientes precisam da mesma intervenção”, explica Danielle Gondim.
Essa avaliação também orienta a conversa sobre expectativas. Antes de escolher uma técnica, é necessário identificar o que incomoda o paciente, quais características fazem parte de sua anatomia e o que pode ser modificado com segurança. A seguir, a especialista esclarece quatro pontos sobre o assunto.
1. Nem toda papada está relacionada à gordura
A definição da mandíbula e a transição entre o queixo e o pescoço influenciam a percepção das proporções faciais. Algumas pessoas apresentam pouca definição nessa região mesmo sem acúmulo significativo de gordura, devido à distribuição dos tecidos e às características anatômicas.
Por isso, procedimentos direcionados apenas à pele ou à redução de volume podem não atender às necessidades de determinados pacientes. “É comum associar a papada exclusivamente ao acúmulo de gordura, mas essa aparência também pode estar relacionada à musculatura e à própria anatomia cervical”, ressalta a cirurgiã.
2. As estruturas profundas também precisam ser avaliadas
A pesquisa analisou o lifting cervical profundo em plano duplo associado ao lifting facial. A abordagem inclui o tratamento de estruturas profundas e o reposicionamento do platisma, músculo que se estende pelo pescoço e participa da formação de seu contorno.
A indicação depende das alterações identificadas durante a consulta. “Uma pessoa pode ter o rosto relativamente jovem e apresentar perda de definição nessa região. Identificar o que provoca essa alteração é o primeiro passo para evitar tratamentos inadequados ou resultados que não correspondam ao que o paciente espera”, explica Danielle Gondim.
3. Preservar a identidade faz parte do planejamento
Alterações nas pálpebras, sobrancelhas , bochechas e pescoço podem ocorrer em intensidades diferentes. Isso não significa que todas essas regiões precisem de intervenção cirúrgica. O planejamento deve considerar as proporções do rosto e as expectativas de cada pessoa.
Para a especialista, naturalidade não depende apenas da retirada de pele. “O objetivo não deve ser transformar uma pessoa em outra, mas compreender quais mudanças ocorreram ao longo dos anos e como elas podem ser tratadas respeitando a identidade de cada rosto”, afirma.
4. Os riscos devem fazer parte da conversa
O estudo registrou fraqueza nervosa transitória em 4,3% dos pacientes e sialoma, acúmulo de saliva nos tecidos, em 3,1%, sem sequelas permanentes. Esses resultados não eliminam os riscos da intervenção.
Antes da decisão, a avaliação médica deve considerar condições de saúde, anatomia, limites do procedimento e recuperação. A presença de flacidez ou perda de definição mandibular, isoladamente, não determina a necessidade de operar.
“Não existe uma técnica ideal para todos os rostos. O paciente precisa compreender o que realmente pode ser corrigido, quais são os limites do procedimento e quais riscos estão envolvidos. A segurança começa antes da cirurgia, com uma indicação criteriosa e uma conversa transparente sobre os resultados possíveis”, conclui Danielle Gondim.
Por Carolina Lara