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Fenômeno da internet

Como vídeos curtos influenciaram novas gerações a assistirem obras nacionais

Os "edits" captam o público jovem e já contam com milhões de visualizações em clássicos como "Hilda Furacão" e "Malhação"
Isadora Mello

Publicado em 10 de Setembro de 2024 às 15:33

Como vídeos curtos influenciaram novas gerações a assistirem obras nacionais
"Que Horas Ela Volta" e "Hilda Furacão" estão fazendo sucesso na internet Crédito: Reprodução
Se você costuma utilizar redes sociais como Tik Tok e X (antigo Twitter), certamente já se deparou com os famosos "edits", vídeos curtos feitos de frames de novelas, filmes e gravações. Eles podem ser sobre um personagem específico, casais fictícios, cenas marcantes, a criatividade é o limite. Normalmente, eles são criados por contas de fãs, mas costumam furar a bolha e alcançar outras pessoas.
O que parecia ser algo bobo se tornou uma importante ferramenta para apresentar aos jovens obras brasileiras que marcaram outras gerações. Esse é o caso de Hilda Furacão, minissérie dos anos 90, que teve um aumento exponencial após os "edits" da obra repercutirem nas redes sociais. E não foi só no Brasil. As publicações alcançaram pessoas do mundo inteiro: por isso não ache estranho topar com legendas em inglês.
A equipe de HZ conversou com Andrey Barreto, o criador do vídeo acima que já acumula mais de 1 milhão de curtidas e 10 milhões de visualizações. Segundo ele, a ideia de criar os "edits" surgiu durante a pandemia.
A minha inspiração surgiu em 2021 durante o isolamento da pandemia, movida pelo meu desejo de manifestar a minha essência musical/cultural, e da minha vontade de decolonizar a mídia e a cultura que consumimos, trazendo à tona elementos que muitas vezes são esquecidos ou marginalizados pelo tempo
E vamos combinar que a ideia deu certo, né? Para Andrey, os vídeos viralizam porque atravessam gerações de formas diferentes. "Acredito que o motivo do alcance seria o efeito de nostalgia que o meu conteúdo resgata, a estética 'retrô' e o fato de ser um conteúdo 'esquecido' pelo tempo. A junção disso alcança um efeito na comunidade onde acaba atraindo pessoas que já viveram aquilo, e as pessoas jovens que estão descobrindo… e isso contribui para uma ponte de gerações que acabam se reconectando com aquela estética".
E toda essa atenção não passou despercebida pelo protagonista da trama. "Eu fiquei muito surpreso com a repercussão de Hilda Furacão no Tik Tok. Eu acho incrível o poder do mundo digital", disse o ator Rodrigo Santoro em entrevista para o portal AdoroCinema.
Ana Paula Arósio, protagonista de Hilda Furacão, publicou no seu perfil do Instagram um vídeo semelhante aos "edits", que retrata a evolução da atriz com o passar dos anos. "Quantas saudades...", escreveu Arósio.
E se engana quem pensa que Hilda Furacão é um caso isolado. O fenômeno atingiu diversas obras nacionais como “Mussum”, “Estômago”, “Malhação”, “Que Horas Ela Volta?”, “Entre Abelhas”, "Segundo Sol", "O Outro Lado do Paraíso", "Educação Sentimental", "A Agonia".
A equipe de HZ entrevistou o consagrado novelista brasileiro, Silvio de Abreu, responsável pelos sucessos Guerra dos Sexos (1983), Cambalacho (1986) e Sassaricando (1987), para entender melhor esse fenômeno.
“Tudo que é popular, mas é feito com classe e talento, tende a permanecer. Por exemplo, hoje estamos discutindo a internet, mas podemos pensar na televisão há 50 anos. Os filmes importantes antes da televisão, quando ela foi inventada, passaram a fazer parte da cultura das pessoas. Não todos, mas aqueles que se destacaram. E por que eles permanecem? Permanecem pela qualidade, pela capacidade de comunicação e por possuírem algo atemporal, algo que funciona em qualquer época”
Silvio destaca ainda que a estratégia de colocar influencers ou atores com muitos seguidores não cativa a audiência. 
Eu, quando estava na Globo e era o supervisor, coloquei as duas atrizes juntas, não por elas terem muitos seguidores, mas calhou. Foi a Marina Ruy Barbosa junto com Bruna Marquezine, cada uma na época tinha cerca de 20, 30 milhões de seguidores e a novela foi um fracasso 
O escritor acredita que as emissoras devem investir em qualidade. "Descobrir uma maneira de fazer coisas de qualidade sem gastar muito dinheiro, porque é isso que ela (televisão) precisa hoje".
Por mais que a era digital dominada por conteúdos rápidos traga pessimismo em relação a capacidade de retenção da atenção em filmes, séries e novelas, ao mesmo tempo é possível utilizar essas ferramentas para aproveitar novas formas de engajamento. Os vídeos curtos não são apenas uma tendência passageira, mas uma oportunidade para revitalizar e celebrar o rico patrimônio cultural do país.

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