O Vital 2026 reuniu foliões de diferentes gerações no Sambão do Povo, em Vitória, no último fim de semana. Ao som de grandes nomes do axé, como Durval Lelys, Léo Santana, Tomate, Banda Eva, Bell Marques e Xanddy Harmonia, o carnaval fora de época do ES foi marcado não apenas pela música, mas também pelas memórias afetivas, histórias de amor e tradições familiares que fazem parte da trajetória da festa.
Durval Lelys foi o primeiro a subir no trio e abriu a programação do sábado (10), ao som de muito axé. Um dos pontos altos foi "Quebra Aê", um dos maiores sucessos da carreira do cantor, que colocou os foliões para cantar e entrar no clima da festa logo no início da noite.
Na sequência, Léo Santana mostrou por que faz jus ao apelido de Gigante. Dos camarotes às arquibancadas, ninguém ficou parado durante o show. O artista passeou por sucessos que marcaram sua carreira, como Rebolation, até hits mais recentes, como Desliza, Laço na Fivela e Zona de Perigo.
Coube a Tomate encerrar a programação musical do primeiro dia. Com a energia característica de suas apresentações, o cantor fechou a noite em clima de celebração, coroando uma jornada de axé no Sambão do Povo.
A professora Patrícia Patta frequenta o Vital há quase 20 anos e acompanhou diferentes fases da festa, que já passou por outros espaços da capital capixaba. Hoje, mantém o costume de curtir a programação ao lado dos amigos e já confirma presença na próxima edição.
“Já é uma tradição. Eu participo do Vital há mais ou menos uns 20 anos. Desde que veio para o Sambão do Povo, participei de todas as edições. Sempre venho com meus amigos. Com certeza estarei aqui ano que vem”, contou.
Ao longo dessa trajetória, Patrícia também colecionou histórias curiosas. Uma delas aconteceu depois de uma entrevista à TV Gazeta. Como é professora, ela foi surpreendida no dia seguinte pelos alunos, que fizeram fila para falar com ela após a aparição na televisão.
“Meus alunos formaram uma fila para falar comigo, animados, dizendo que eu tinha virado artista porque tinha aparecido na televisão. Foi um sucesso”, relembrou.
A relação com o Vital também atravessa gerações. Ana Puck e a filha, Tatiane Puck, acompanham a festa desde a época em que era realizada na praia. Para elas, a ligação com a micareta também tem origem na família.
“Sempre participei do Vital. O costume veio dos meus pais. Minha mãe sempre foi carnavalesca. Estamos aqui desde que começou”, contaram, ao relembrarem as primeiras edições do evento e a passagem de Bell Marques com o Chiclete com Banana.
Além das lembranças, mãe e filha destacam a importância da festa para a cidade e para o Estado, especialmente pela capacidade de projetar o Espírito Santo para outros públicos.
“Festa maravilhosa para o Estado, para a cidade, divulgando Vitória e o Espírito Santo”, ressaltaram.
Aos 40 anos, Natalia Fernandes de Mattos Machado também acompanha o Vital desde a época da praia e afirma que nunca perdeu uma edição. Para ela, a permanência da festa está ligada à força do axé e à capacidade de manter o gênero musical vivo, inclusive com a chegada de novos artistas.
“O axé é importante para o Brasil inteiro. O axé precisa disso, de todos os artistas, acolher os cantores novos. Isso é muito importante”, afirmou.
A folia também aparece nas cores e nos looks escolhidos pelos participantes. Natalia vê na produção colorida uma representação do próprio espírito da festa.
“Esse look significa alegria, felicidade, brilho, que é isso que o axé traz”, explicou.
Entre clássicos do axé, hits atuais e histórias que atravessam décadas, o primeiro dia do Vital mostrou que a micareta vai além dos shows. Para quem retorna a cada edição, a festa é também um espaço de encontro, pertencimento e celebração de uma tradição que segue conquistando diferentes gerações.
A mineira Amanda Pollo construiu uma relação afetiva com o Vital desde que chegou ao Espírito Santo. Fã de carnaval, ela guarda lembranças de diferentes edições ao lado da família, desde os momentos em que acompanhava a folia nos ombros do pai até uma ocasião especial envolvendo a avó, também fã de Bell Marques.
“Minha avó levava a gente para as edições na orla de Camburi, e ela sempre foi muito fã do Bell Marques. Em um ano, a gente conseguiu ingresso de um camarote, e o Bell leu o cartaz e falou o nome dela. Foi uma emoção porque ela ficou muito feliz. Essa memória afetiva toca em mim”, relembra.
Outra lembrança marcante envolve o irmão, ainda bebê, levado pelos pais para conhecer o evento. Durante a passagem de um trio elétrico, ele ganhou uma bandana, recordação que também ficou na história da família. Neste ano, Amanda voltou ao Sambão do Povo com a expectativa de acompanhar mais uma apresentação do ídolo familiar.
“Nem precisa falar que o show que eu estou mais ansiosa para ver é o do Bell Marques, né?”, brincou.
A tradição também ganhou um novo capítulo para Bruna Azevedo, grávida de 29 semanas, que acompanhou a festa da arquibancada ao lado dos amigos. Frequentadora do Vital, ela contou que a edição de 2026 terá um significado especial: além de curtir o show de Bell Marques, poderá guardar a experiência para compartilhar com o filho no futuro.
A música favorita da família é “Chicleteiro Eu, Chicleteira Ela”, que Bruna espera ouvir durante a apresentação. “É uma delícia. Ao mesmo tempo que mexe lá no trio, ele pula aqui, e eu sinto”, contou.
Para ela, viver o carnaval fora de época durante a gravidez tornou a experiência ainda mais marcante. “Dessa vez é diferente, né? Vou lembrar para sempre e contar para ele”, completou.
A música também é parte importante da história de Everton Gomes e Adevânia Coser. Os dois se conheceram há 18 anos, durante uma micareta com a Banda Eva, na época em que Ivete Sangalo era a vocalista. A data do encontro, 16 de agosto de 2008, está gravada na aliança de Everton.
O namoro virou casamento, e o casal realizou junto o sonho de curtir o Carnaval de Salvador, destino para onde viaja todos os anos. Mas a folia capixaba também tem lugar garantido na agenda. “Todo ano a gente vem para o Vital, desde os tempos de Camburi”, contou Adevânia.
A paixão pela Banda Eva também passou para o filho do casal, de cinco anos, que já teve a oportunidade de subir ao trio elétrico ao lado do vocalista Felipe Pezzoni. Entre as músicas especiais para a família está “Simplesmente”, que embalou até o casamento dos dois.
“Nossa música é ‘Simplesmente’! Mas a nova do Felipe, lançada há três dias, está sensacional. Já virou favorita”, afirmou Everton.
Para acompanhar a banda, o casal leva uma bandeira com a inscrição “EVA”, símbolo da admiração pelo grupo e da história construída ao longo dos anos. No Vital, a música que marcou o início do relacionamento segue conectando passado e presente.