Quem nunca estava ouvindo uma música, curtindo o ritmo ou a letra, e, quando foi ver quem cantava, descobriu que não era o artista que imaginava? Às vezes, o som é tão parecido com de outro cantor que fica difícil não pensar: “Nossa, essa música poderia ser dele!”. A brincadeira virou trend nas redes sociais e ganhou um nome curioso: “artistas que dormiram demais e Deus deu essas músicas para outros artistas”.
A expressão faz referência a uma história envolvendo a rivalidade entre dois dos maiores ícones da música pop: Michael Jackson e Prince. Reza a lenda que uma vez Michael estava dormindo e teve uma ideia de música no sono, e depois disso acordou de madrugada para anotar a ideia musical. Isso tudo por medo de que, se continuasse dormindo, Deus daria aquela canção para Prince.
Verdade ou não, o caso combina com a brincadeira de imaginar como seria o universo musical se determinados hits tivessem sido gravados por outros artistas.
E HZ separou alguns exemplos de músicas que poderiam facilmente habitar outras discografias.
1 Thing (Amerie) — Beyoncé
R&B pop dos anos 2000, batidas marcantes, groove e muita energia. Esses elementos também fizeram parte da identidade musical de Beyoncé em diferentes momentos da carreira. Por isso, não é tão difícil imaginar “1 Thing” entrando em algum álbum da cantora. Mas o hit não faz parte do catálogo da diva pop: a música é de Amerie.
Lançada em 2005, “1 Thing” se tornou um dos maiores sucessos da carreira de Amerie. No multiverso em que Beyoncé dormiu demais, a faixa poderia ter acabado nas mãos de Bey, principalmente pelas semelhanças com músicas como “Crazy in Love” e "Déjà Vu". E existe uma conexão real entre essas sonoridades: Rich Harrison, produtor de “1 Thing”, também trabalhou com Beyoncé em “Crazy in Love” e “Déjà Vu”.
Mr. Saxobeat (Alexandra Stan) — Rihanna
Quem viveu o auge do dance pop entre o fim dos anos 2000 e o início dos anos 2010 sabe que Rihanna foi um dos grandes nomes da música pop dançante. Hit atrás de hit, a cantora explorou diferentes sonoridades, incluindo faixas com forte presença de música eletrônica. Por isso, “Mr. Saxobeat” poderia facilmente despertar aquela sensação de já ter ouvido algo parecido no repertório da artista.
O sucesso de Alexandra Stan marcou época com seu saxofone inconfundível na introdução, a batida eletrônica acelerada e o refrão chiclete. A combinação tem tudo a ver com a pista de dança e com o pop daquela época, universo no qual Rihanna também emplacou diversos hits. E aposto que muita gente que era criança no início dos anos 2010 guarda uma lembrança especial da faixa por causa de “Just Dance”.
Extravasa (Claudia Leitte) — Ivete Sangalo
E essa discussão também pode chegar ao mundinho do axé! Claudia Leitte e Ivete Sangalo estão entre os grandes nomes do gênero, conquistaram o público à frente de bandas e construíram carreiras solo repletas de sucessos. Com tanta energia de Carnaval envolvida, não é difícil imaginar alguém ouvindo “Extravasa” e associando a música automaticamente a Ivete.
Lançada em 2008, “Extravasa” tem aquele tipo de refrão feito para ser cantado em coro, com uma energia que combina perfeitamente com o trio elétrico e a multidão pulando atrás do trio. A vibe lembra sucessos de Ivete Sangalo como “Poeira”, que também aposta em uma batida contagiante e em versos que ganham ainda mais força quando cantados por uma multidão. Imagina Ivete puxando “Extravasa” no Carnaval de Salvador?
Monalisa (Jorge Vercillo) — Djavan
“Paralisa, com seu olhar, Monalisa...” Basta lembrar desses versos para entrar no clima romântico da música de Jorge Vercillo. Mas e se eu dissesse que a faixa poderia muito bem ter saído da discografia de Djavan? Os dois artistas transitam pela MPB romântica e têm canções marcadas por melodias elaboradas e interpretações cheias de personalidade.
Lançada em 2003, “Monalisa” tem uma melodia envolvente e uma atmosfera romântica que combinam com o universo musical de Djavan. E essa associação fica ainda mais interessante quando lembramos que os dois já dividiram os vocais em “Final Feliz”, parceria que reúne características muito presentes nas discografias de ambos. A música tem tanto a cara dos dois que poderia até passar por uma faixa solo de qualquer um deles, mostrando como os universos musicais de Vercillo e Djavan podem se encontrar.
Posso Ser (Lexa) — Anitta
Quando surgiu no início dos anos 2010, Anitta ajudou a moldar o pop brasileiro que ganharia força nos anos seguintes. A mistura de funk com referências pop, as coreografias, os clipes elaborados e as músicas sobre romance e independência ajudaram a construir a identidade da cantora. Não é de se estranhar, portanto, que outros artistas que exploravam caminhos semelhantes também pudessem entrar nessa comparação.
“Posso Ser” marcou o início da trajetória de Lexa no mercado nacional, com uma sonoridade pop dançante que conversa com o universo do funk pop brasileiro. A faixa poderia facilmente entrar no álbum de estreia de Anitta, lançado em 2013, que reúne essa mistura de batidas dançantes, refrões grudentos e referências pop que ajudaram a construir a identidade musical da cantora. Nesse multiverso, “Posso Ser” seria mais uma candidata a integrar o repertório do primeiro disco de Anitta.
Além desses vários poderiam entrar no multiverso. Em outra realidade, talvez IZA cantasse “Sal Grosso” da Anitta, Avril Lavigne deixasse para o Evanescence embalar “Nobody’s Home”, “Domino” da Jessie J poderia ser um dos hits do Teenage Dream da Katy Perry… e por aí vai.