Moda, acessórios, culinária e viagem estão entre os segmentos analisados em um levantamento sobre a composição da audiência de influenciadores brasileiros no Instagram. O estudo, realizado pela plataforma HypeAuditor, examinou aproximadamente 5,4 milhões de contas públicas e identificou diferenças na proporção de perfis classificados como suspeitos de acordo com a categoria de conteúdo e o número de seguidores.
Entre os criadores com 10 mil a 50 mil seguidores, os segmentos de “Roupas & Looks”, “Acessórios & Joias”, “Alimentação & Culinária”, “Moda” e “Viagem” aparecem entre aqueles com maior incidência de casos extremos de audiência suspeita, segundo os critérios adotados pela plataforma.
O resultado não significa, necessariamente, que os influenciadores desses segmentos tenham comprado seguidores ou manipulado o engajamento. A classificação considera características dos perfis que compõem a audiência e identifica comportamentos considerados atípicos pelos sistemas de análise.
De acordo com o HypeAuditor, a categoria vai além dos chamados bots, contas automatizadas que podem interagir com publicações. Ela também inclui perfis falsos ou roubados e contas que apresentam padrões incomuns de comportamento, como comentários repetitivos, atividades atípicas de seguimento e participação em grupos de engajamento.
Nesses grupos, usuários combinam curtidas e comentários nas publicações uns dos outros para tentar ampliar a interação com o conteúdo.
O levantamento aponta que um em cada 21 influenciadores brasileiros tem pelo menos 50% da audiência classificada como suspeita pelos critérios da plataforma. O percentual varia conforme o tamanho do perfil: entre os microinfluenciadores, com 10 mil a 50 mil seguidores, 6,4% apresentam essa característica. Entre os nanoinfluenciadores, com mil a 10 mil seguidores, o índice é de 4,5%. Já entre os criadores com mais de 1 milhão de seguidores, chega a 0,6%.
Os números se referem à proporção de perfis que atingem esse patamar de audiência suspeita, e não à parcela total de seguidores suspeitos em cada categoria.
Na média brasileira apresentada pelo estudo, a audiência dos criadores de conteúdo é formada por aproximadamente 52% de pessoas reais, 26% de seguidores em massa, 16,8% de contas suspeitas e 5,2% de influenciadores.
Os seguidores em massa são contas que acompanham mais de 1.500 perfis. Segundo a metodologia do HypeAuditor, elas podem estar associadas a estratégias automatizadas de seguimento, como seguir e deixar de seguir usuários, mas essa característica, isoladamente, não comprova irregularidade.
Para Maria Marques, gerente de Marketing para a América Latina do HypeAuditor, as diferenças entre os segmentos reforçam a importância de observar as particularidades de cada perfil na análise de campanhas de marketing de influência.
“Esses segmentos que acendem um alerta maior são justamente nichos mais próximos das decisões de compra do público e que costumam ter forte presença de campanhas, publis, sorteios e ações voltadas para o crescimento”, afirma.
O levantamento destaca a importância de considerar diferentes indicadores na hora de escolher influenciadores para campanhas publicitárias. Além do número de seguidores, a análise pode levar em conta a composição da audiência, o engajamento e a comparação com outros criadores de tamanho e categoria semelhantes.
Segundo Marques, perfis menores também despertam o interesse das empresas por fatores como o custo das campanhas e a possibilidade de uma relação mais próxima com o público. Em alguns casos, esses criadores podem apresentar taxas de engajamento superiores às de influenciadores com audiências maiores.
A recomendação da especialista é avaliar cada perfil individualmente, sem tomar o número de seguidores como único critério de escolha.
O levantamento analisou aproximadamente 5,4 milhões de contas públicas do Instagram identificadas como brasileiras, não pertencentes a marcas e com pelo menos mil seguidores. A plataforma classificou as audiências em quatro grupos: pessoas reais, influenciadores, seguidores em massa e contas suspeitas.
As comparações por categoria consideram criadores com 10 mil a 50 mil seguidores. Como um mesmo perfil pode se enquadrar em mais de uma categoria temática, os resultados não representam grupos necessariamente exclusivos.
A empresa ressalta que os indicadores identificam padrões potencialmente atípicos, mas não comprovam, isoladamente, intenção fraudulenta por parte dos influenciadores.