Em entrevista na sexta-feira de manhã à Fox News, Trump injetou uma dose de esperança na notícia mais esperada pela economia mundial neste final de ano: um "acordo comercial" entre Estados Unidos e China que, segundo ele, "está muito perto", embora demonstrasse irritação com o comportamento comercial do país comandado por Xi Jinping. "A China quer um acordo, nós queremos um acordo", reforçou Trump.
Minutos depois, na sexta-feira, a China reforçou essa perspectiva. Xi Jinping respondeu a Trump, no mesmo tom: "a China quer trabalhar em um acordo" com os EUA para acabar a guerra no comércio. Mas alertou: se necessário, haverá retaliação. Este é o primeiro comentário público do mandatário chinês desde quando começou o conflito tarifário, em março de 2018.
Só para lembrar: foram os EUA que começaram a arengação. A avaliação parece clara: uma potência econômica em ascensão incomoda outra já estabelecida, acostumada a ser xerife do mundo. Aliás, esse foi o discurso que elegeu Trump.
O mundo todo quer a paz comercial entre os dois gigantes. A disputa é altamente danosa. Se for intensificada, pode reduzir em 0,7% a expansão econômica do planeta entre agora e 2022, segundo projeções feitas em vários países. Para 2019, o FMI diminuiu de 3,2% para algo próximo a 3% a estimativa de alta do PIB global. É o nível mais baixo desde a crise financeira de 2008 e 2009. E se o conflito sair do controle? Sem dúvida, causará impacto arrasador.
O Brasil avisou que não vai se meter nessa briga de cachorro grande - no que faz muito bem. O setor agrário brasileiro tira proveito dessa guerra, vendendo para a China parte da soja que antes era fornecida aos chineses pelos Estados Unidos. No entanto, o enfraquecimento da economia chinesa em função do embate com os americanos pode afetar as exportações brasileiras de minério de ferro - e isso atinge os embarque pelo Espírito Santo.
No mês de outubro deste ano, a China foi o destino de 67,1% do minério de ferro embarcado em Vitória. Também de 14,5% das saídas de celulose, de 6,9% das vendas de rochas em forma bruta, e de 4,6% da comercialização de produtos semimanufaturados de ligas de aço, segundo dados da Secex.
Já os Estados Unidos são os principais parceiros comerciais do Espírito Santo. Destacam-se na aquisição de rochas ornamentais, minério de ferro, petróleo, e celulose. Em outubro, o EUA tiveram participação de 23% no valor total dos embarques capixabas. A China respondeu por 10,7%.
A disputa entre Estados Unidos e China é o primeiro grande conflito geopolítico do século 21, e isso vem afetando sobretudo os países emergentes. No Espírito Santo, não fosse a venda de uma plataforma petrolífera em setembro, o valor acumulado das exportações, de janeiro a outubro deste ano, teria sido 13,7% menor na comparação com o resultado do mesmo período do ano passado. Já o superávit comercial brasileiro esperado para 2019 recuou de US$ 48,8 bilhões para US$ 46,4 bilhões, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.
Esse exige do Espírito Santo, e do Brasil como um todo, capacitação crescente para fazer os seus produtos chegarem a praças no exterior. O desafio da competitividade intensificou-se.