Falar em gramado no futebol brasileiro é sempre um assunto delicado. Uns entendem a real importância de cuidar do palco onde acontece o espetáculo, mas outros preferem zombar e diminuir o debate, afirmando que “quem é bom joga até debaixo de chuva”. A verdade é que o assunto tem sido tratado cada vez mais com a seriedade necessária no Brasil.
Por isso, a Federação de Futebol do Espírito Santo (FES) promoveu um seminário sobre gramados esportivos profissionais, que ocorreu no estádio Kleber Andrade, Cariacica, na quarta-feira (14) e na quinta-feira (15). Foram dois dias de palestras e aulas práticas para cerca de 50 funcionários responsáveis pela manutenção dos gramados de clubes filiados à Federação, ministradas pela engenheira agrônoma Maristela Khun, uma das maiores autoridades no assunto da América do Sul. Ela trabalha para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para Conmebol e clubes brasileiros.
Em entrevista para A Gazeta, Maristela afirmou que uma das razões para a existência de gramados de baixa qualidade, se deve ao fato dos clubes não investirem adequadamente no assunto. “Geralmente os funcionários de jardinagem dos clubes não possuem a capacitação necessária para o trabalho, devido à falta de cursos preparatórios no Brasil”.
Para ela, o futebol brasileiro ainda está engatinhando neste quesito em relação a outros países. “Nós só vamos crescer nesse aspecto quando investirem na capacitação dos funcionários que cuidam dos gramados”.
Maristela ainda listou o que julga necessário para um clube manter em dia suas obrigações com a manutenção da grama, a fim de manter um padrão alto de qualidade. “São necessário aproximadamente três funcionários bem capacitados, um plano de adubação bem feito e uma série de maquinários, que são utilizados para realizar esse processo”.
Recentemente, o gramado do Kleber Andrade recebeu uma reforma, que o transformou em híbrido, ou seja, parte natural, parte artificial. “A grama do Kleber Andrade utiliza a mesma tecnologia aplicada recentemente no Maracanã. Ela possui uma fibra, que tem a função de fazer com que o gramado aguente mais partidas durante o ano”, afirmou a engenheira.
Para ela, essa é mais uma das medidas que tem sido adotadas aqui, que vieram da Europa, mas frisou que nem tudo que vem do velho continente pode ser adequado para o Brasil.