Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Futebol
  • Richarlyson declara bissexualidade: 'Mundo não está preparado para esta discussão'
Respeito!

Richarlyson declara bissexualidade: 'Mundo não está preparado para esta discussão'

Ex-jogador que sofria constantes ataques de homofobia no futebol decidiu se declarar abertamente sobre sua sexualidade

Publicado em 24 de Junho de 2022 às 12:15

Agência Estado

Publicado em 

24 jun 2022 às 12:15
"Eu queria que as pessoas me vissem como espelho por tudo aquilo que conquistei dentro do meu trabalho" Crédito: Marina Uezima / Flickr
O ex-jogador Richarlyson declarou pela primeira vez ser bissexual. A revelação veio à tona no podcast "Nos Armários dos Vestiários", do GE, e produzido pela Feel the Match, que aborda a homofobia e o machismo no futebol do País. Com passagens marcantes por São Paulo e Atlético-MG, chegando a ser convocado para a Seleção Brasileira, o atleta teve a carreira marcada por insinuações maldosas sobre a sua sexualidade.
"A vida inteira me perguntaram se sou gay. Eu já me relacionei com homem e já me relacionei com mulher também. Só que aí eu falo hoje aqui e daqui a pouco estará estampada a notícia 'Richarlyson é bissexual'. E o meme já vem pronto. Dirão 'Nossa, mas jura? Nem imaginava'. Cara, eu sou normal, eu tenho vontades e desejos", disse Richarlyson.
"Já namorei homem, já namorei mulher, mas e aí? Vai fazer o quê? Nada. Vai pintar uma manchete que o Richarlyson falou em um podcast que é bissexual. Legal. E aí vai chover de reportagens, e o mais importante, que é pauta, não vai mudar, que é a questão da homofobia. Infelizmente, o mundo não está preparado para ter essa discussão e lidar com naturalidade com isso", concluiu.
Richarlyson despontou para o futebol com a camisa do São Paulo — clube cuja torcida é constantemente alvo de chacotas homofóbicas. Pelo tricolor paulista, foi tricampeão brasileiro (2006, 2007 e 2008) e fez parte do elenco que derrotou o Liverpool no Mundial de Clubes (2005). Aos 39 anos, o ex-jogador recentemente estreou na função de comentarista esportivo no canal SporTV.
Volante de grande vigor físico, Richarlyson nunca teve grande dificuldade para conquistar seu espaço com os treinadores com quem trabalhou, vindo a conquistar também o título da Libertadores com o Atlético-MG e dois estaduais com o time de Belo Horizonte. As boas atuações, porém, não livraram o atleta de ataques homofóbicos, tampouco as colocaram no patamar de ídolo.
"Eu não queria ser pautado por causa da minha sexualidade, de eu ser bissexual. Eu queria que as pessoas me vissem como espelho por tudo aquilo que conquistei dentro do meu trabalho. Eu nunca coloquei a minha sexualidade à frente do meu trabalho, e nunca faria isso. E eu não estou falando isso agora porque parei de jogar. Muita gente maldosa vai falar isso, que eu falei agora porque não jogo mais. Não. Eu nunca falei porque não era a minha prioridade, como não era hoje, mas hoje eu me senti à vontade para falar. Eu queria que não existisse essa pauta. Eu queria estar falando aqui da minha nova carreira (comentarista). Mas é importante."
A entrevista com Richarlyson é a primeira da série "Nos Armários dos Vestiários", que vai contar com depoimentos de e revelações inéditas de jogadores, árbitros, ex-atletas, torcedores e outros personagens do universo da bola. A produção será apresentada pela jornalista Joanna de Assis e pelo influenciador William de Lucca.
Bruno Maia, sócio-fundador da Feel The Match, é o produtor e diretor geral do projeto. Ele ressalta a importância de produções como essas para que pautas afirmativas avancem na sociedade. "O futebol tem um papel importante nisso e nós, que trabalhamos nele, precisamos evoluí-lo para além da tecnologia. É papel de todos que estamos nessa indústria. O esporte começou como algo restrito aos homens, numa sociedade que reproduzia estes privilégios naquela época. Mas o mundo, ainda bem, não é mais assim. Contar essas histórias e dar visibilidade a elas é combater a intolerância e o preconceito".
O executivo revela ainda que uma das principais dificuldades foi encontrar fontes com coragem para falar sobre um assunto tão delicado. "A história de pesquisas da Joanna de Assis foi fundamental para vencermos as inseguranças de quem nunca tinha tratado abertamente o tema. O primeiro episódio será importante neste aspecto, porque, a partir desse, a gente acredita que mais pessoas vão se encorajar a participar dos seguintes, que ainda estão em produção. Eu admiro profundamente a coragem de todos que aceitaram contar suas histórias na nossa série".

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, ministro do TST.
A Justiça do Trabalho não tem cor
TJES Tribunal de Justiça
Tribunal do ES publica aposentadoria de juiz condenado por esquema de herança
Imagem de destaque
Trabalho infantil: da era dos direitos às propostas de retrocesso

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados