“O saneamento básico promove não somente a qualidade de vida, mas também a produtividade, a valorização imobiliária e o turismo das regiões”. A afirmação de Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, dá o tom da importância da coleta e tratamento de esgoto e tem sido exemplificada pelo desenvolvimento da Serra.
Pela primeira vez na história, o município ultrapassou Vitória e se tornou a maior economia do Espírito Santo. A participação da Serra no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado foi de 18,8%, enquanto Vitória responde por 15,7%, segundo dados levantados pelo Instituto Jones dos Santos Neves, em parceria com o IBGE, referentes a 2019.
O município recebeu, por parte da Parceria Público Privada (PPP) formada pelas empresas Ambiental Serra e Cesan - Companhia Espírito Santense de Saneamento, investimento de R$ 355 milhões em redes coletoras, melhorias de Estações de Tratamento (ETEs) e em outras atividades . Desde 2015, o número de imóveis ligados à rede coletora de tratamento aumentou em 53%, já as redes de coleta foram expandidas em 39,78%.
Não por acaso, a taxa de internações por doenças de veiculação hídrica teve redução de 39% na Serra. Segundo a OMS, para cada 1 dólar investido em saneamento e água é economizado 4,3 dólares com custos com a saúde. Assim, o legado da expansão do saneamento para a saúde pública é de uma economia de R$ 8,5 milhões por ano para o país, de acordo com o Instituto Trata Brasil.
“Quando a água entregue a população não está entre os parâmetros preconizados pelo Ministério da Saúde e o esgoto não é tratado corretamente, existe a proliferação de várias doenças de veiculação hídrica, como dengue, esquistossomose, malária e diarreia. Isso afeta não somente a qualidade de vida da população, como também a produtividade. Por isso a importância de se investir cada vez mais em saneamento”, lembra Luana Pretto.
Diretor-presidente da Aegea ES, Justino Brunelli destaca o papel fundamental exercido pelo saneamento básico, em especial no município da Serra, e lembra outro dado importante, desta vez relacionado aos imóveis.
“À medida que uma população tem acesso os serviços de saneamento básico, ela se torna mais saudável e assim tem mais disposição para estudar, trabalhar e para progredir na vida social e financeira. Além disso, os imóveis que contam com serviços de saneamento passam a valer cerca de 25% mais. E ainda bairros e cidades com saneamento adequado têm maiores chances de atrair investimentos”, destaca Brunelli.
Apenas a Ambiental Serra gera 599 empregos diretos anualmente, com mais de R$ 1,3 bilhão em salários e benefícios já tendo sido efetivados até 2019.
UNIVERSALIZAÇÃO DO SANEAMENTO TRATIA R$ 1,1 TRILHÃO AO PAÍS EM 20 ANOS
A universalização do saneamento básico traria ao país benefícios econômicos e sociais de mais de R$ 1,1 trilhão em 20 anos, segundo estudo do Instituto Trata Brasil. Isso quer dizer que os ganhos com a expansão dos serviços de água e esgoto no Brasil são maiores que os custos para investir no setor. Os setores mais beneficiados são os de saúde, educação, turismo, emprego e imobiliário.
Segundo o estudo, caso o saneamento fosse universalizado, os custos de infraestrutura chegariam a R$ 241,3 bilhões. Considerando o aumento de despesas nas contas das famílias com os novos serviços de água e esgoto, o custo total chegaria a R$ 395,6 bilhões em 20 anos.
Com a universalização do saneamento, porém, o país teria uma série de benefícios nesses próximos anos que tornariam as contas positivas. Eles vão desde a redução dos custos com a saúde até a renda gerada pelo aumento de operação da cadeia produtiva do setor. Essa renda chegaria a R$ 1,5 trilhão. No final, o balanço positivo é de mais de R$ 1,1 trilhão para o país, aponta o estudo.