ASSINE

Valor de rodeio em Muniz Freire pagaria até 13 eventos em outras cidades

Segundo apuração do MPES, com o valor do contrato de R$ 1,4 milhão daria para custear 13 estruturas similares em outro município. Decisão da Justiça suspendeu o processo de licitação por suspeita de superfaturamento no contrato.

Tempo de leitura: 5min
Cachoeiro de Itapemirim / Rede Gazeta
Publicado em 06/07/2022 às 14h10

Uma decisão da Justiça Estadual suspendeu um processo de licitação da Prefeitura de Muniz Freire, na Região do Caparaó, por suspeita de superfaturamento no contrato de uma empresa para a montagem de estrutura de rodeio. A empresa vencedora da licitação ofertou o lance de R$ 1.483.200,00. Na apuração do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o valor custearia até 13 estruturas similares em outros municípios.

A prefeitura contesta a investigação do Ministério Público e diz que o pregão não foi feito para contratar apenas a estrutura de rodeio para a Festa do Município, que acontece entre os dias 27 e 31 de julho.

Em nota, a administração municipal aponta que a licitação se refere à contratação do serviço para montagem e realização de rodeios em diversas festividades agropecuárias no município (Sede e Distritos), dentro de um prazo de 12 meses.

 Na manifestação do MPES, o órgão compara o valor orçado pela Prefeitura de Muniz Freire, de R$ 1,4 milhão, e os valores pagos por municípios vizinhos em contratações de estruturas similares. O Ministério Público considera, na argumentação, que todo o valor do contrato seria usado em apenas um evento.

Justiça suspende contrato para festa em Muniz Freire por suspeita de superfaturamento
Justiça suspende contrato para festa em Muniz Freire por suspeita de superfaturamento. Crédito: Reprodução/ TCEES

De acordo com o levantamento presente nos autos, o valor que seria gasto em Muniz Freire daria para pagar quase seis eventos de rodeio no município de São Roque do Canaã.  Em Presidente Kennedy, custearia cerca de nove eventos do gênero, assim com 10 eventos de rodeio em Laranja da Terra e 13 em Águia Branca.

DECISÃO DA JUSTIÇA

Além da anulação do pregão, a Justiça determinou que o município não efetue qualquer repasse dos valores contratados sob pena de multa de R$ 200 mil em caso de descumprimento da decisão.

A estrutura para o rodeio seria montada para o evento na cidade, entre os dias 27 e 31 de julho, em comemoração à emancipação política da cidade.

Para o Ministério Público, além de outras supostas irregularidades, houve violação ao princípio da economicidade, pois a suposta proposta mais vantajosa no procedimento é desproporcional aos valores praticados no mercado.

O QUE DIZ A PREFEITURA DE MUNIZ FREIRE

Sobre a decisão da suspensão do contrato, a Prefeitura de  Muniz Freire divulgou uma nota informando que o pregão não foi apenas para a realização de um rodeio, mas para todos os eventos similares em festividades agropecuárias dentro do município por 12 meses. O pagamento é feito apenas uma vez que o serviço é prestado. 

Segundo a prefeitura, o valor total do referido pregão é de R$ 990.000,00 e não de “em torno de R$ 1,5 milhões", como alegado pelo Ministério Público.  

A prefeitura informou também que todos os documentos que comprovam os esclarecimentos e informações serão entregues, conforme solicitado pela Justiça, para averiguação dos fatos.

A Gazeta procurou o Ministério Público para que respondesse a respeito das alegações feitas pela prefeitura, mas o órgão não se manifestou. A reportagem teve acesso ao edital de licitação, que aponta que se trata de um registro de preços. Esse modelo serve para registrar os preços de fornecedores para compras futuras do poder público e não implica em qualquer obrigatoriedade da contratação do serviço.

Foi solicitada uma entrevista com o procurador do município, para que prestasse mais esclarecimentos, mas a prefeitura não forneceu contato. A Gazeta também pediu ao município acesso ao contrato firmado com a empresa que venceu o pregão, mas não recebeu o documento. Ele não foi encontrado no site da transparência da cidade.

Atualização

7 de Julho de 2022 às 18:36

Após a publicação dessa matéria, foi feito novo contato com a Prefeitura de Muniz Freire e também com o Ministério Público, além de consulta ao portal da transparência da cidade e ao edital de licitação. O texto foi atualizado com as novas informações. 

Este vídeo pode te interessar

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.