Nas eleições de 2026, entre os cargos em disputa estão os de deputados, tanto estaduais quanto federais, e os de senadores. Embora todos atuem no Poder Legislativo, há diferenças importantes entre eles, tanto na forma de eleição quanto na representação de cada Estado e na duração dos mandatos.
Uma das principais distinções aparece já no sistema de votação. No Brasil, o sistema eleitoral é misto, com dois modelos para diferentes cargos. Enquanto deputados são eleitos pelo sistema proporcional, senadores disputam uma eleição majoritária, na qual vence o candidato com mais votos.
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Segundo João Victor Santos, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o sistema de escolha dos deputados “segue uma lógica de garantir direitos de minorias”.
“Quando eu falo de minorias, eu estou falando de partidos pequenos, principalmente. Então, a proporcionalidade segue nessa lógica. Já para o Senado, é uma eleição majoritária. É sempre direito da maioria”, explica o especialista.
Como é a eleição proporcional de deputados?
Deputados estaduais e federais são escolhidos pelo sistema proporcional. Neste modelo, o resultado leva em conta a quantidade total de votos recebidos pelos partidos e, depois, os votos obtidos por cada candidato. O cálculo, então, é feito com base no quociente eleitoral.
A conta, explica Santos, “é um pouco complexa, mas a gente chama de proporcionalidade. Ou seja, nem sempre o mais votado é o que está eleito”.
E como funciona a eleição para senador?
Já a eleição para o Senado é majoritária, mas do tipo simples: quem tiver mais votos se elege.
O modelo usado para eleger presidente, governadores e prefeitos em cidades com mais de 200 mil eleitores é sistema majoritário absoluto: vence quem obtém 50% dos votos válidos mais um, sem considerar votos em branco e nulos).
Diferentemente da eleição proporcional, o sistema majoritário não leva em consideração o desempenho dos partidos para definir os eleitos.
Representação dos Estados
Outra diferença essencial entre os cargos do Congresso Nacional está na forma de representação dos Estados. Na Câmara dos Deputados, o número de parlamentares varia conforme a população de cada unidade da federação. Por isso, Estados mais populosos possuem mais representantes do que Estados menores.
O Espírito Santo, por exemplo, tem 10 representantes na Câmara Federal, enquanto São Paulo tem 70.
No Senado, porém, todos os Estados têm o mesmo peso: cada um elege três senadores. Segundo o cientista político, essa estrutura faz com que o Senado funcione como uma "casa revisora" e represente os interesses dos Estados de maneira equilibrada.
Em temas que afetam determinadas regiões, como a distribuição de receitas do petróleo, por exemplo, o debate tende a ser mais intenso no Senado justamente porque Estados grandes e pequenos possuem o mesmo número de representantes, explica Santos.
Diferença no tempo de mandato
Outra diferença é a duração do mandato de cada parlamentar. Enquanto os deputados ficam nas Casas Legislativas por quatro anos, os senadores permanecem no cargo por oito.
Conforme João Victor Santos, o prazo maior busca garantir mais estabilidade aos Estados representados pelos parlamentares.
Ele destaca, ainda, que o Senado ocupa um papel estratégico nas discussões políticas nacionais, tem grande peso nas votações e exige um investimento significativo dos partidos nas campanhas por se tratar de uma disputa majoritária.
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