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Operação da PF

Paulo Preto guardava R$ 100 milhões em bunker, disse delator à Lava Jato

Preso em operação da PF é suspeito de manter um bunker para guardar dinheiro em espécie, onde manteria cerca de R$ 100 milhões

Publicado em 19 de Fevereiro de 2019 às 16:44

Publicado em 

19 fev 2019 às 16:44
Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto Crédito: José Cruz / Agência Brasil
Alvo de prisão pela Operação Lava Jato nesta terça-feira (19), o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, é suspeito de manter um bunker para guardar dinheiro em espécie, onde manteria cerca de R$ 100 milhões.
O relato sobre o bunker foi feito à Lava Jato pelo empresário Adir Assad, que operava propina para a empreiteira Odebrecht e fez acordo de delação premiada com a força-tarefa. Assad teria visitado o local diversas vezes.
Sua delação foi um dos elementos usados para deflagrar a operação desta terça-feira. 
A Lava Jato investiga o papel de operador financeiro de Paulo Preto em favor da Odebrecht, fornecendo dinheiro em espécie para o pagamento de propinas pela empresa.
DINHEIRO MOFADO
Ainda segundo o delator, esse bunker, um quarto em um apartamento mantido pelo operador, era tão cheio de dinheiro que ele eventualmente colocava as notas ao sol, para que não mofassem.
A informação foi revelada durante entrevista à imprensa nesta terça, pelo procurador da República Roberson Pozzobon. 
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19) mais uma fase da Operação Lava Jato e prendeu Paulo Preto. Batizada de Ad Infinitum, a fase da operação também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes (PSDB). Aloysio atualmente é presidente da estatal Investe SP, cargo de primeiro escalão da gestão do governador João Doria (PSDB).
A Procuradoria acusa Paulo Preto de ter movimentado pelo menos R$ 130 milhões em contas na Suíça, entre 2007 e 2017.
Em uma dessas contas, segundo a Procuradoria, foi emitido um cartão de crédito em favor do ex-senador Aloysio Nunes, em dezembro de 2007 -que teria sido entregue a ele num hotel em Barcelona, na Espanha. 
Na época, Aloysio era secretário da Casa Civil do Governo de São Paulo, na gestão de José Serra (PSDB). O cartão foi emitido na semana entre o Natal e o Ano Novo.
As investigações são baseadas em informações e documentos colhidos no sistema de propinas da empreiteira Odebrecht. Paulo Preto é acusado de ter operado em favor da empreiteira, disponibilizando valores em espécie ao setor que comandava o pagamento de propinas.
Mas o ex-diretor da Dersa, segundo os investigadores, também recebeu valores em suas contas na Suíça das empreiteiras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, igualmente investigadas na Lava Jato. Essas contas foram encerradas no primeiro trimestre de 2017, depois de o acordo da Odebrecht ter se tornado público. Em seguida, os valores foram transferidos para contas nas Bahamas.
Para o procurador da República Júlio Noronha, ainda há "várias caixas-pretas que precisam ser abertas" pela Lava Jato.
O ex-diretor da Dersa já é alvo de investigação pela Lava Jato em São Paulo, que apura desvios em obras rodoviárias no estado. Mas, segundo os procuradores de Curitiba, sua atuação no governo paulista não é alvo da investigação desta terça, que se concentra em seu papel de operador da Odebrecht.
Os procuradores argumentam que os repasses de Paulo Preto à Odebrecht foram imediatamente anteriores a pagamentos de propina para ex-diretores e gerentes da Petrobras, como Paulo Roberto Costa, Roberto Gonçalves e Pedro Barusco. Aí estaria o vínculo com a Lava Jato de Curitiba, a quem cabe apurar desvios na estatal de petróleo.
O ex-senador Aloysio Nunes, por sua vez, já foi alvo de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que apurava doações irregulares à sua campanha ao Senado, em 2010. Mas a investigação foi arquivada no fim do ano passado, por falta de indícios mínimos de autoria ou materialidade.

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