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Publicado em 14 de dezembro de 2021 às 20:59
A Polícia Federal intimou o filho 04 do presidente Jair Bolsonaro (PL), Jair Renan, para prestar depoimento em um inquérito que apura o pagamento de suposta propina por empresários, entre eles do grupo capixaba Gramazini Granitos e Mármores Thomazini, em troca de aproximação com o governo federal. A informação foi revelada, com exclusividade, pelo jornal O Globo.>
Jair Renan é investigado por possível tráfico de influência. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em março deste ano, o filho do presidente estaria atuando "para abrir as portas do governo federal" para empresários. >
A investigação tramita na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal. De acordo com O Globo, o inquérito aponta que houve associação de Jair Renan com outras pessoas "no recebimento de vantagens de empresários com interesses, vínculos e contratos com a Administração Pública Federal e Distrital sem aparente contraprestação justificável dos atos de graciosidade".>
As suspeitas sobre o filho 04 do presidente envolvem a utilização da empresa de eventos dele, a Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, para promover articulações entre a Gramazini Granitos e Mármores Thomazini, e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.>
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O grupo empresarial atua nos setores de mineração e construção e presentou Jair Renan e o empresário Allan Lucena, um dos parceiros comerciais do filho do presidente, com um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil. Um mês após a doação, em outubro do ano passado, representantes da Gramazini Granitos e Mármores Thomazini se reuniram com Marinho. >
Segundo o ministério, o encontro, que também teve a participação de Jair Renan, foi marcado a pedido de um assessor especial da Presidência.>
A reunião no Planalto aconteceu após uma visita de Jair Renan ao Espírito Santo, em setembro de 2020. Na ocasião, ele se reuniu com representantes da empresa de granitos e foi até a sede da empresa em Cachoeiro de Itapemirim. >
O empresário capixaba Wellington Leite, do grupo WK, que atua no ramo de linha de crédito imobiliário e automotivo, divulgou o encontro em um vídeo nas redes sociais. Leite também se reuniu com o filho do presidente, e, posteriormente, esteve no Planalto. No vídeo, o empresário fala de um projeto que "estava a caminho de se desenvolver".>
"Tenho certeza que esse projeto vai ser um divisor de águas na vida de muita gente[...] Renan, seu pai [o presidente Bolsonaro], que está à frente desse governo, ele vai diretamente aprovar e agradecer por essa iniciativa e com certeza proporcionar uma vida mais digna para o povo brasileiro", disse, em vídeo publicado no dia 26 de setembro.>
Segundo informações divulgadas pela revista Veja, as duas empresas apresentaram um protótipo de construção de casas populares de pedra ao filho do presidente. >
Semanas depois da visita de Renan, as duas empresas capixabas tiveram as logomarcas impressas na decoração da parede de entrada do escritório de Renan, junto com outras que apoiaram o empreendimento, conforme divulgado pelo jornal Folha de São Paulo. Na ocasião, os empresários doaram um carro elétrico, no valor de R$ 90 mil, para o projeto MOB, do sócio de Renan, Allan Lucena. >
Em novembro, um representante da Gramazini conseguiu um espaço na agenda do ministro de Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para falar sobre um projeto de construção de casas populares. Marinho é responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida. O encontro aconteceu no Palácio do Planalto e teria sido intermediado por Renan Bolsonaro.>
Após o episódio, a Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para investigar se Renan teria atuado para facilitar o acesso de empresários do grupo ao governo federal. >
Procurada pela reportagem, a empresa Gramazini informou que "sempre se pautou pelos princípios da ética, da transparência e da legalidade, contribuindo com a arrecadação de tributos e a geração de empregos" e que estava à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. >
"A direção da companhia está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos, desde já informando que não são verdadeiras as suspeitas lançadas contra a empresa, o que ficará provado no seu devido tempo e pelos meios próprios", destacou por meio de nota.>
A Gazeta não conseguiu contato com Wellington Leite. Em abril deste ano, em entrevista para a Folha de São Paulo, o empresário disse que não se recordava quando se encontrou com Bolsonaro e nem quem o levou até ele. >
"Visitei o Palácio do Planalto e tive a sorte de tirar uma foto com o presidente. Foi tudo muito rápido", disse, afirmando que tiveram apenas um encontro. >
O empresário também disse à Folha que foi ele quem trouxe Allan e Renan ao Espírito Santo para a troca de ideias sobre projetos que poderiam ser tocados. Contudo, a parceria não se concretizou. “O Allan que trouxe o Renan, que veio falar sobre o projeto social do MOB e do JB, porém acabou que não foi adiante”, disse Wellington.>
Sem fornecer valores, o empresário afirmou que arcou com as despesas da viagem do filho do presidente e de seu parceiro comercial. “Como eu convidei, mais do que justo arcar [com as despesas]”, disse. “Sobre o valor, eu não sei nem o que gastei ontem, vou saber o que gastei há quase oito meses?”, disse à Folha. >
Procurado pelo O Globo, o o advogado de Jair Renan, Frederick Wassef, disse que não poderia comentar sobre a intimação de seu cliente porque o inquérito corre em segredo de justiça. Wassef, porém, argumentou que o 04 não cometeu nenhuma irregularidade e atribuiu a abertura do inquérito a uma suposta "perseguição da esquerda".>
"As investigações ainda estão em curso, e o inquérito tramita em segredo, portanto eu não posso falar absolutamente nada do inquérito. O que eu posso afirmar é que Jair Renan jamais ganhou qualquer carro que seja, e jamais praticou qualquer ato irregular ou ilícito. Trata-se de uma investigação instaurada por manifestação e requerimento de parlamentar de esquerda", afirmou.>
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