Sair
Assine
Entrar

STF

Fux suspende ação em que Bolsonaro é réu sob acusação de incitar estupro

Bolsonaro, à época deputado federal, declarou que só não estupraria colega porque ela "não merecia".

Publicado em 12 de Fevereiro de 2019 às 14:32

Publicado em 

12 fev 2019 às 14:32
Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux Crédito: Nelson Jr./STF
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux suspendeu nesta segunda-feira (11) duas ações penais nas quais o presidente Jair Bolsonaro (PSL) é réu sob acusação de incitar o crime de estupro e de cometer injúria. Fux baseou-se na Constituição, que determina que o presidente da República só pode ser processado por supostos crimes praticados no exercício do mandato.
As duas ações referem-se ao episódio em que Bolsonaro, à época deputado federal, declarou que só não estupraria sua colega, a deputada Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos, porque ela "não merecia".
Bolsonaro virou réu no Supremo em junho de 2016, quando os ministros receberam uma denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) e acolheram também uma queixa-crime apresentada por Maria do Rosário. Fux é o relator desses processos.
O ministro afirmou, ao determinar a suspensão, que "o Supremo Tribunal Federal assentou que a imunidade processual temporária do Presidente da República impede 'que, enquanto dure o mandato, tenha curso ou se instaure processo penal contra o Presidente da República por crimes não funcionais'".
Fux suspendeu ainda os prazos de prescrição, a fim de que Bolsonaro possa voltar a responder pelos supostos crimes depois de deixar o Planalto.
"A suspensão do prazo prescricional, durante o curso do mandato, é medida consentânea com o espírito da constituição, que não estabelece a imunidade material do Presidente da República, mas tão-somente sua imunidade processual temporária, com a qual não se coadunaria a possibilidade de os fatos, em tese, criminosos, serem atingidos pela prescrição, com a consequente extinção da punibilidade", escreveu o ministro.
Quando a denúncia foi recebida por 4 votos a 1 na Primeira Turma do STF, em 2016, Fux afirmou que a mensagem passada pela afirmação de Bolsonaro não só menosprezava a mulher como pregava que algumas estivam na posição de merecimento para crimes de estupro.
"A violência sexual é um processo consciente de intimidação pelo qual as mulheres são mantidas em estado de medo", disse na ocasião.
Na semana passada, o ministro Ricardo Lewandowski, relator de uma queixa-crime apresentada pelo PT contra Bolsonaro, também suspendeu o processo enquanto durar o mandato do presidente, com a mesma fundamentação de Fux.
Naquele caso, Bolsonaro foi acusado por petistas de injúria eleitoral e incitação ao crime por causa de um ato de campanha no Acre em que o então candidato disse que iria "fuzilar a petralhada".

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Quem são os convocados para a Seleção Brasileira que ficaram de fora do álbum da Copa do Mundo
Delegacia Regional de Cariacica
Filho de ex-vereador é preso por envolvimento em homicídio em Cariacica
Marcelo Santos
Deputados do ES podem ter desconto no salário por falta na Assembleia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados