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Crise no STF

Flávio Bolsonaro cobra voto de Cármen contra Moraes e diz que ela deve se preocupar com biografia

Ministra ainda não definiu se apoiará abertura de investigação contra o colega Alexandre de Moraes

Publicado em 06 de Setembro de 2026 às 12:23

Agência FolhaPress

Publicado em 

06 set 2026 às 12:23
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cobrou neste domingo (5) voto da ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), a favor da abertura de uma investigação contra o colega Alexandre de Moraes.
"Queremos saber se a senhora vai autorizar que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado", disse Flávio em transmissão nas redes sociais, acrescentando que a ministra deve se preocupar com a sua biografia.
Como mostrou a Folha, Cármen vê erros tanto do ministro André Mendonça quanto de Moraes nas medidas que levaram a corte ao epicentro de uma crise institucional, e ainda não definiu qual deles vai ganhar o seu apoio.
Evento do PL em Vitória com Flávio Bolsonaro
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) Fernando Madeira
Moraes e Mendonça disputam o voto de Cármen em busca da hegemonia de seus respectivos grupos no Supremo, e a posição da magistrada é considerada decisiva nas deliberações que o plenário deve fazer sobre as condutas dos dois ministros.
Na transmissão, Flávio conversou com eleitores e candidatos que o apoiam. Ele fez convocações para atos do Sete de Setembro, nesta segunda, contra o presidente Lula (PT) e contra Moraes.
"Se no Sete de Setembro as ruas estiverem cheias em todo o Brasil, o julgamento vai ser um; se estiverem vazias, vai ser outro", disse.
Ele também ouviu pessoas defendendo os ataques do 8 de janeiro de 2023 e afirmações de que as pessoas condenadas sofrem com injustiça.
A campanha do presidenciável tenta inflar o ato na avenida Paulista, em São Paulo, para sair do empate técnico nas pesquisas e assumir o favoritismo no segundo turno da eleição.
Já o Supremo vai discutir, de um lado, se houve arbitrariedade nos métodos utilizados por Mendonça nas apurações sobre o Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e que resultaram no relatório em que a PF (Polícia Federal) aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
De outro, a corte vai avaliar a regularidade do ato de Moraes ao se utilizar do inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Antes de Moraes decidir partir para o contra-ataque, na quinta-feira (3), Cármen chegou a telefonar para ele e indicou se solidarizar com a situação de exposição pública. Na terça (1º), Mendonça tirou sigilo de relatório da PF que mostrava diálogos de Vorcaro com o ministro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025.
Moraes, segundo um auxiliar, compreendeu o telefonema da colega como um aceno, embora Cármen não tenha garantido a ele o seu apoio em votações futuras.
O que veio depois —o uso do inquérito das fake news para contra-atacar Mendonça— também não a agradou. A ministra relatou a uma pessoa próxima uma sensação de perplexidade com os dois colegas e com o ponto a que chegou a erosão interna do Supremo.

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