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Caso Bendine

Dodge contesta decisão do STF que põe em dúvida condenações da Lava Jato

Procuradoria-Geral da República (PGR) defende mesmo prazo de alegações finais para réus delatores ou não

Publicado em 30 de Agosto de 2019 às 19:08

Publicado em 

30 ago 2019 às 19:08
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as condenações do ex-executivo da Engevix Gerson Almada não sejam anuladas, e que eventuais novas apelações à Corte para derrubar sentenças com base na decisão que favoreceu o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine aguardem a manifestação do plenário do STF, assim como a de Almada.

Por maioria, a Segunda Turma da Corte entendeu que o réu tem direito de apresentar as alegações finais após os delatores que também são acusados no processo, e não no mesmo prazo. Como Bendine não teve esse tratamento, três ministros votaram para anular sua condenação na Lava Jato. Alegando ter enfrentado a mesma situação do ex-presidente da Petrobras, Almada pediu que o entendimento seja estendido no seu caso. Quem irá analisar o pedido é o ministro Ricardo Lewandowski, que apresentou o voto vencedor na turma.

No parecer, a procuradora diz que não concorda com a tese formada na Segunda Turma e cita que o Código de Processo Penal é "claro" ao estabelecer "prazo comum" aos corréus para apresentarem as contrarrazões.

MILHARES DE CONDENAÇÕES

Em manifestação enviada ao Supremo, a chefe da PGR afirma que o entendimento tem potencial de afetar milhares de condenações penais referentes a um "miríade de crimes", e não apenas dos que foram desvendados pela Operação Lava Jato. "Até mesmo condenações transitadas em julgado podem, em tese, ser impactadas pela via da revisão criminal", disse Raquel Dodge, que tenta ser reconduzida ao cargo na PGR.

Segundo a procuradora-geral, pelo "bem da segurança e estabilidade jurídicas" é melhor que nenhum novo pedido de anulação com base no recente entendimento seja julgado até que o plenário do STF se debruce sobre a questão. A chance de a controvérsia ser debatida pelos 11 ministros do STF está em um habeas corpus que o ministro Edson Fachin enviou para decisão do plenário. Ele só entra na pauta, por sua vez, se o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, escolher uma data.

Raquel Dodge também afirma que as situações de Gerson Almada e de Aldemir Bendine são diversas. Isso porque o ex-presidente da Petrobras teria reclamado já na primeira instância da Justiça para ter mais prazo para as alegações finais, o que foi negado. A procuradora cita que "não se tem notícias" de que o ex-Engevix tenha feito a mesma solicitação.

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