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Tráfico de influência

Câmara de São Gabriel da Palha aprova abertura de CPI contra vereadores

Requerimento tinha sido assinado por seis vereadores; em sessão, mais cinco votaram a favor. Os alvos são o presidente e o segundo-secretário da Casa

Publicado em 08 de Março de 2019 às 01:16

Publicado em 

08 mar 2019 às 01:16
São Gabriel da Palha Crédito: A Gazeta

Em sessão ordinária realizada nesta quinta-feira (07), a Câmara de São Gabriel da Palha, no Noroeste do Estado, aprovou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o presidente da Casa, Tiago dos Santos (Progressista), e o segundo-secretário, Wagner Lucas dos Santos (SD), por supostas irregularidades durante o mandato. 

Dos 13 vereadores que compõem o Legislativo municipal, 11 votaram a favor das investigações – se abstendo apenas os dois suspeitos de envolvimento no caso. Ambos teriam pedido cerca de R$ 10 mil ao empresário Henrique Barreto para influenciar a prefeita Lucélia Pim Ferreira da Fonseca (SD) na escolha da empresa dele para realizar um evento na cidade em 2018.

A galeria da Câmara estava lotada de moradores da cidade que ouviram oito vereadores se manifestarem verbalmente sobre a CPI durante aproximadamente 1h30. Entre eles, Leandro Bragato (PHS), primeiro dos seis parlamentares a assinar o requerimento protocolado no dia 26 de fevereiro, que chegou a ser aplaudido no discurso de quatro minutos.

"Ninguém aqui está com demagogia ou politicagem e muitos vereadores votaram a favor hoje porque a sociedade está aqui, cobrando. Eu, se fosse você, presidente, renunciaria ao mandato. Essa é uma forma da população voltar a acreditar nesta Câmara. Ninguém é 100% correto, mas temos que tentar ao máximo andar em linha reta", afirmou.

Último a discursar, Tiago dos Santos rebateu as críticas. "Gostaria de dizer publicamente que não devemos acreditar em tudo que ouvimos. Há embutes que sempre serão ditos e verdades que jamais serão pronunciadas", disse. "Eu acredito na imparcialidade, na apuração e sempre peço que a vingança não seja usada para fazer injustiça", completou.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Além da investigação interna na Câmara de São Gabriel da Palha, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) também apura o caso para averiguar se houve irregularidades. Se confirmada, a atitude dos vereadores configuraria, ao menos, três crimes: tráfico de influência, corrupção ativa e corrupção passiva.

Em nota enviada no dia 27 de fevereiro, o MPES informou ter recebido uma denúncia anônima sobre o episódio e já ter começado a colher os depoimentos dos envolvidos. O órgão também afirmou que caso sejam constatadas irregularidades, as medidas previstas em lei serão devidamente adotadas.

O OUTRO LADO

O Gazeta Online tentou falar com os vereadores Tiago dos Santos e Wagner Lucas dos Santos, mas até o momento de publicação desta reportagem não havia conseguido contato.

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