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Ligação com PCV

Traficante que matou rivais para dominar tráfico na Serra é condenado

Filipe Xavier da Conceição foi condenado a 66 anos e quatro meses de prisão; ele comandava o tráfico em Jardim Carapina e já foi considerado o assassino mais procurado no Espírito Santo

Publicado em 31 de Agosto de 2023 às 09:26

Redação de A Gazeta

Publicado em 

31 ago 2023 às 09:26
Felipe Xavier da Conceição era chefe do tráfico no bairro Jardim Carapina, na Serra, e estava preso em regime fechado desde março de 2019.
Filipe Xavier da Conceição era chefe do tráfico no bairro Jardim Carapina, na Serra, e estava preso em regime fechado desde março de 2019. Crédito: Divulgação/Polícia Civil
Um dos criminosos mais perigosos do Espírito Santo foi condenado a 66 anos e quatro meses de prisão no último dia 25, uma semana atrás. Filipe Xavier da Conceição era chefe do tráfico no bairro Jardim Carapina, na Serra, e estava preso em regime fechado desde março de 2019. O julgamento aconteceu no Fórum Cível da Serra e a condenação foi divulgada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) na quarta-feira (30).
Junto com o traficante, outros três criminosos também foram condenados: Lucas Alves Silveira e Marcelo Silva Oliveira receberam como pena 55 anos e quatro meses de prisão, e Izaque Wagner dos Santos Vaz foi condenado a 17 anos e quatro meses de reclusão.
Os quatro réus foram julgados e condenados pelos crimes de duplo homicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa, praticados contra três pessoas: Wellington Vieira Gomes, Gustavo Manthay Santos e Mateus Ribeiro Gomes. As vítimas, integrantes de uma organização criminosa rival, foram assassinadas em maio de 2019 no bairro Divinópolis, na Serra, em vingança pela morte de um comparsa de Filipe, conhecido como “Farofa”.

Ligação com o PCV

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) ressaltou que Filipe Xavier da Conceição possui ligação com a organização criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV).
Filipe foi chefe do tráfico em Jardim Carapina de 2015 até sua prisão em 2019 e era considerado o homicida mais perigoso do Estado. Segundo a Polícia Civil, o criminoso executava todos os rivais que tinham pontos de tráfico no bairro para ter o controle total do bairro.
Na época da prisão, a instituição policial ainda relatou que o criminoso tinha um modo de agir parecido em todos os homicídios praticados. Segundo a Polícia Civil, Filipe, com outros traficantes, chegava na residência do alvo fortemente armado e trajando roupas da Polícia Militar.

Defesa de Filipe diz que vai recorrer

A reportagem procurou a defesa de Filipe Xavier, que afirmou que recorrerá da condenação. O advogado Leonardo da Rocha de Souza pontuou, em nota enviada para A Gazeta, o que deve destacar ao recorrer da decisão (veja abaixo).

Texto enviado pela defesa de Filipe

- O julgamento é nulo, pois houve irregularidades formais durante o julgamento que violaram a plenitude de defesa do Felipe;

- Testemunhas indicadas como imprescindíveis pela defesa para serem ouvidas no julgamento não foram intimadas e a defesa somente tomou ciência disso no dia do julgamento, sem tempo hábil para diligenciar novos endereços ou então requerer sua substituição,

- A acusação utilizou como argumento de autoridade no julgamento apenas o inquérito policial e testemunhos indiretos e outras ações penais existentes em desfavor do Felipe, o que fez com que o Filipe fosse condenado por um placar apertadíssimo de 4 votos x 3, o que demonstra, por si só, que não havia provas, neste processo, contra o Felipe e ele foi condenado pelo que ele é e não por aquilo que ele teria feito naquela ação penal que estava sendo julgado;

- A sentença está equivocada porque a pena aplicada está em desacordo com o que manda a lei.

O A Gazeta procurou o Ministério Público do Estado do Espírito Santo para saber se a instituição irá se posicionar em relação às afirmações feitas pela defesa de Filipe. Por nota, o MPES, por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Serra, informou que a condenação teve como base as provas e argumentos apresentados durante o trâmite processual e durante o júri. O Ministério Público ressalta que tanto a acusação quanto a defesa podem juntar ao processo documentos e elementos que entenderem pertinentes para embasar seus argumentos. Assim, a instituição salienta que apresentou documentos e elementos de prova de forma legal e dentro dos prazos garantidos pela legislação brasileira.

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