Uma técnica em enfermagem, identificada como Kaylane Aparecida Silva Rodrigues, de 22 anos, foi presa na manhã de quinta-feira (24) após apresentar diversos atestados médicos falsos no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Soteco, Vila Velha.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada e, no local, uma médica do setor de Medicina do Trabalho informou que a profissional vinha sendo monitorada após apresentar os documentos falsificados. Ainda conforme informações da médica, a técnica chegou a alegar estar grávida e, no dia 18 de julho, apresentou um atestado referente à investigação de óbito fetal.
Desconfiada, a médica entrou em contato com os colegas cujos nomes e carimbos constavam nos atestados. Eles confirmaram que não haviam emitido os documentos. Uma das médicas, inclusive, registrou ocorrência ao descobrir que seu carimbo havia sido usado indevidamente.
Ao ser questionada pelos policiais, Kaylane permaneceu em silêncio e apenas afirmou que não revelaria quem forneceu os atestados. Segundo a Polícia Civil, ela foi autuada em flagrante pelo crime de uso de documento falso, e encaminhada ao sistema prisional.
Procurado, o Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES) infirmou que tomou conhecimento, por meio da imprensa, da prisão da técnica de enfermagem.
"Embora a denúncia ainda não tenha sido formalmente registrada junto a esta Autarquia Federal, o Coren-ES, no cumprimento de sua função fiscalizatória do exercício profissional da enfermagem, informa que adotará as medidas cabíveis para apuração dos fatos noticiados. Configurado indício de infração ética, será instaurado procedimento ético disciplinar em desfavor da envolvida, que, em caso de condenação, poderá ser penalizada com sanções previstas no Código de Ética dos profissionais de enfermagem, que incluem desde advertência verbal até cassação do registro", explicou o conselho por meio de nota.
O Coren-ES reforçou que denúncias podem ser registradas a qualquer momento pelo canal de ouvidoria, disponível 24 horas no site www.coren-es.org.br. É fundamental que as manifestações contenham o maior número de informações possível, como nome da unidade, local, data dos fatos e, quando disponíveis, documentos ou registros que possam servir como indícios e/ou provas.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) disse que nenhum médico do Himaba foi vítima de falsificação de documentos. As assinaturas e carimbos suspeitos de serem utilizados de forma fraudulenta pertencem a profissionais que não são do corpo clínico do hospital.
"Assim que soube da suspeita do crime, o Himaba agiu com responsabilidade e celeridade, informando aos médicos(as) envolvidos(as) para registrar o boletim de ocorrência. A colaboradora foi imediatamente desligada da instituição. O Himaba colabora com as autoridades competentes para a investigação e reafirma seu compromisso com a ética, o respeito à legislação e à confiança da sociedade com os serviços prestados", ressaltou a Sesa.