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Polícia Federal prende falso médico que atuava em São Mateus

Segundo as investigações, o homem ainda começou a recrutar outras pessoas para a realizar a prática fraudulenta

Sede da Polícia Federal em Vila Velha
Homem é preso em São Mateus por exercício ilegal da Medicina. Crédito: Carlos Alberto Silva

Polícia Federal realizou na manhã desta quarta-feira (18) uma operação voltada ao combate de prática ilegal da Medicina. A ação começou em Vitória da Conquista, na Bahia, e contou com a participação das unidades do Amazonas e de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, onde um falso médico foi preso.  Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e um mandado de busca.

INVESTIGAÇÕES

As investigações apontam que Leonardo Luz Moreira, preso em São Mateus, se matriculou em uma faculdade de Medicina na Bolívia, onde estudou por um semestre. Posteriormente, solicitou transferência para uma faculdade brasileira e adulterou os registros para que computassem, ao invés de seis meses, quatro anos de estudo. 

Leonardo Luz Moreira, preso em São Mateus
Leonardo Luz Moreira atuava com médico em São Mateus e foi preso na operação da Polícia Federal. Crédito: Reprodução

Ainda de acordo com as investigações, o falso médico foi contratado por diversas prefeituras do norte capixaba e também pelo governo do Estado. 

A reportagem acionou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que informou que Leonardo não era servidor estadual e sim funcionário de uma empresa contratada para a prestação de serviços médicos. O nome da empresa não foi divulgado. Veja nota:

"A direção do Hospital Estadual Roberto Arnizaut Silvares (HRAS) informa que o médico preso em operação da Polícia Federal que atuava no pronto-socorro da unidade não é servidor estadual e sim funcionário de uma empresa contratada para a prestação de serviços médicos. A direção destaca que no ato da contratação a empresa apresentou todas as documentações necessárias e obrigatórias para cada vínculo disponibilizado ao hospital, incluindo o registro ativo do funcionário no Conselho Regional de Medicina/ES".

Segundo o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo, Leonardo consta com o registro ativo e regular no CRM. "Diante da suspeita de irregularidade, pela Polícia Federal, na documentação do referido médico, o Conselho vai entrar em contato com a Polícia para se inteirar dos fatos e colaborar no que for preciso para que tudo seja esclarecido o mais rápido possível", informou o CRM-ES.

O QUE DIZ A PREFEITURA DE SÃO MATEUS

Por meio de nota, a Prefeitura de São Mateus afirmou que além de atuar no Hospital Roberto Silvares, médico trabalhava na US3, unidade de saúde do bairro São Silvano, tendo apresentado a documentação necessária emitida por uma faculdade da Bahia. Confira a nota:

"A Secretaria de Saúde de São Mateus informou que o ele estava atuando no Hospital Roberto Silvares, que é um hospital estadual, referência para o Extremo Norte Capixaba, e também na US3, assim como em vários municípios do Norte. Ele apresentou o Diploma é da Faculdade de Uninga, Bahia, onde fez o Revalida."

O QUE DIZ A PF NO ES

Segundo o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugenio Coutinho Ricas, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quarta-feira (18), a investigação acontece na Bahia e, por isso, não há tantos detalhes sobre o caso, mas há outros envolvidos no esquema, que funcionava da seguinte forma: os acusados iam para uma faculdade fora do Brasil, onde ficavam um semestre, pediam transferência, forjavam documentos e voltavam dizendo que tinham cursado quatro anos e, assim, começavam a atuar na área.

O superintendente da Polícia Federal do Espírito Santo, Eugenio Ricas
O superintendente da Polícia Federal do Espírito Santo, Eugenio Ricas. Crédito: Daniel Pasti

O médico preso no Estado atuava há pelo menos três ano, com salários que somam aproximadamente R$ 850 mil, de acordo com informações da Polícia Federal. "Os R$ 850 mil foram apreendidos e serão devolvidos aos cofres públicos. O irmão do acusado também foi preso na Bahia, na mesma operação", detalhou Eugenio Ricas.

PASSOU A RECRUTAR PESSOAS

Pelos serviços de falsificação, segundo a Polícia Federal, o falso médico cobrava entre R$ 20 mil e R$ 40 mil. "O acusado foi o primeiro a fazer esse esquema. A Polícia Federal de Vitória da Conquista vai continuar as investigações, porque como outros suspeitos participavam dessa fraude, há a possibilidade de mais falsos médicos atuando", disse.

Ricas salientou, ainda, que as faculdades, que não identificaram as falsas documentações, são inicialmente tratadas como vítimas dos suspeitos, mas que a Polícia Federal vai investigar se houve algum tipo de participação de funcionários das instituições no esquema. Os nomes das faculdades não foram divulgados.

Os investigados responderão por uso de documento falso, exercício ilegal da Medicina, peculato e associação criminosa.

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