A perícia da Polícia Científica identificou uma falha grave no sistema de freios do ônibus envolvido no acidente que matou três pessoas e deixou outras 45 feridas na BR 262, em Ibatiba, no Sul do Espírito Santo, em 27 de setembro deste ano. As lonas de freio de um dos eixos estavam completamente desgastadas, e a análise também apontou que o veículo trafegava em velocidade excessiva.
De acordo com o perito oficial criminal e chefe do Departamento de Engenharia Forense da Polícia Científica, Temístocles Macedo, a falta de funcionamento dos freios em um dos eixos reduziu a capacidade de frenagem do ônibus, embora o veículo não tenha ficado totalmente sem freios. Os exames de engenharia duraram cerca de cinco horas e foram realizados como complemento à perícia feita no local do acidente.
A análise do local apontou que o ônibus saiu da pista ao fazer a Curva da Ferradura, considerada crítica, em velocidade excessiva e incompatível com o trecho. Para Macedo, a deficiência no sistema de freios contribuiu para a perda de controle do veículo. “O que causou o excesso de velocidade, principalmente, foi a ausência da capacidade de frenagem”, afirmou.
O perito disse ainda que, pelo nível de desgaste das lonas e pelo trajeto percorrido entre Belo Horizonte (MG) e Itaoca, em Itapemirim, o ônibus já teria saído da garagem com deficiência no sistema de freios.
Ele não deveria nem ter saído da garagem nessas condições. O problema principal é a negligência em relação à manutenção do veículo
Temístocles Macedo Perito oficial criminal e Chefe do Departamento de Engenharia Forense da Polícia Científica
Segundo Macedo, a perícia também identificou falhas de manutenção e de controle na liberação do coletivo. O laudo final ainda está em fase de conclusão.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Segundo o delegado Hélio Flávio Martins, titular da Delegacia de Muniz Freire e representante do chefe da 8ª Delegacia Regional de Ibatiba, o caso é investigado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e lesão corporal culposa. Representantes da empresa ainda não foram ouvidos pela polícia.
O ônibus, de Contagem (MG), era utilizado em uma excursão com 48 pessoas que retornavam de Itaoca, em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. O veículo tombou no km 151 da BR 262, em um trecho conhecido como Curva da Ferradura.
Morreram no acidente o motorista Douglas Rodrigues de Souza Oliveira, de 38 anos, morador de Contagem, e as passageiras Vera Lúcia de Andrade, de 44, e Maria Aparecida Martins Barbosa, de 54, ambas de Belo Horizonte (MG). Os demais passageiros ficaram feridos e foram socorridos para hospitais da região e da Grande Vitória.
Na época, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus trafegava de forma irregular. O veículo, de placa KJJ-3E79 e propriedade da empresa GOJ Transporte e Turismo Ltda., possuía Licença de Viagem aberta apenas para o trecho entre Santa Bárbara (MG) e São Paulo (SP).
Apesar da irregularidade no trajeto, a ANTT informou que o coletivo cumpria as exigências técnicas e legais de circulação.
O responsável pela GOJ Transporte e Turismo Ltda. afirmou que o ônibus havia sido vendido pela empresa antes do acidente, mas que a transferência ainda não tinha sido formalizada. Segundo ele, o atual proprietário utilizou o veículo para substituir outro ônibus que apresentou problema mecânico antes da viagem.
A reportagem aguarda contato do atual proprietário para ouvi-lo sobre o caso.