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Violência no Noroeste

Número de apreensões de submetralhadora mais que triplica em Colatina

Em 2021, quatro submetralhadoras de fabricação caseira foram apreendidas. No ano passado, o número aumentou para 14. E só nos primeiros meses deste ano, nove armas já foram recolhidas

Publicado em 16 de Março de 2023 às 17:04

Viviane Maciel

Publicado em 

16 mar 2023 às 17:04
Submetralhadoras, embaladas após passarem por perícia, que foram apreendidas durante operação da polícia em Colatina.
Submetralhadoras, embaladas após passarem por perícia, que foram apreendidas durante operação da polícia em Colatina. Crédito: Wando Fagundes
Na manhã desta quarta-feira (15), uma mulher foi morta com tiros de uma submetralhadora caseira no bairro Bela Vista, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. O número de armas desse tipo circulando no município tem se tornado um problema local. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), mostram que o número de apreensões mais que triplicou de 2021 para 2022.
Em todo o ano de 2021, quatro submetralhadoras de fabricação caseira foram apreendidas. No ano passado, o número de apreensões aumentou para 14. E só nos primeiros meses deste ano nove armas já foram apreendidas.

Aumento da circulação

Segundo o titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção (DHPP) de Colatina, o delegado Deverly Pereira Junior, o aumento da circulação dessas armas é devido ao baixo valor que elas são vendidas.
“Nós identificamos que são armas de menor valor comercial no mercado negro, se comparadas a armas de fabricação industrial, como pistolas. Então, os criminosos acabam preferindo investir na aquisição dessas armas para praticar os crimes”, explica.
Número de apreensões de submetralhadora mais que triplica em Colatina
Submetralhadoras, embaladas após passarem por perícia, que foram apreendidas durante operação da polícia em Colatina.
Submetralhadoras, embaladas após passarem por perícia, que foram apreendidas durante operação da polícia em Colatina. Crédito: Wando Fagundes
De acordo com a Polícia Civil, as submetralhadoras caseiras vêm da Grande Vitória para Colatina. Antes, elas eram usadas de forma interna no tráfico de drogas, no entanto, o aumento da circulação também faz com que as armas sejam utilizadas em outros crimes.
“Eram armas que, basicamente, eram utilizadas na proteção do tráfico de drogas. Dificilmente se via essas armas sendo utilizadas em homicídios, justamente porque são armas de difícil precisão e portabilidade. Observamos que, com o aumento da circulação, os homicídios utilizando elas também têm aumentado”, afirma.

Crimes envolvendo submetralhadoras

No crime desta quarta-feira, a mulher foi morta após dois homens invadiram a residência em que ela morava e a mataram a tiros no bairro Bela Vista. Segundo o delegado, um dos envolvidos no homicídio foi preso.
Outro crime contra a vida que também envolveu uma submetralhadora caseira foi registrado em fevereiro no município.
Um homem foi baleado em um beco no bairro Perpétuo Socorro. Após buscas na região, a polícia encontrou embaixo de uma van estacionada uma submetralhadora de fabricação caseira e um carregador com duas munições. Ninguém foi preso.
“Essas armas possuem sistemas de segurança precários. Geralmente elas operam apenas no modo de rajada, trazendo uma insegurança ainda maior tanto para quem utiliza, quanto para pessoas que estejam no entorno. A gente carece de uma melhoria na legislação para que a utilização dessas armas possa receber um tratamento da lei”, afirma o delegado.
A polícias Civil e Militar informaram que têm trabalhado e fazem operações para tentar diminuir a circulação das armas no município.

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