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Linhares: o que aconteceu com a casa onde Kauã e Joaquim morreram?

Imóvel passou oito meses trancado e recebeu ao menos seis perícias da Polícia Civil. Morte dos irmãos chocou os moradores de todo o Espírito Santo

Publicado em 16/04/2019 às 21h14
Atualizado em 06/10/2019 às 15h21

Localizada na Avenida Augusto Calmon, região nobre no Centro de Linhares, no Norte do Estado, a casa onde os irmãos Kauã Salles Butkovsky, 6 anos, e Joaquim Alves Salles, 3, moravam está passando por reformas.

A morte dos irmãos Kauã e Joaquim completa um ano no próximo domingo (21). A partir desta quarta-feira (17), o Gazeta Online publica uma série de reportagens sobre o caso, todos os dias, até a data da tragédia.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, os meninos foram estuprados, agredidos e mortos dentro da residência. O crime - que chocou todo o Estado - mudou também para sempre a rotina dos moradores e comerciantes da região. Logo após a tragédia, centenas de pessoas passaram pelo local para tirar fotos, chorar e deixar flores para homenagear kauã e Joaquim. 

Na época do crime, os irmãos moravam com o George Alves, pai de Joaquim e padrasto de Kauã, a mãe  deles,  Juliana Salles, e duas mulheres que eram membros da igreja liderada por George. O pastor continua preso desde o dia 28 de abril de 2018, no Centro de Detenção Provisória (CDP) II, em Viana. A mãe, acusada de conduta omissiva, responde em liberdade.

OITO MESES TRANCADA

Por causa das mortes, o local ficou interditado pela polícia do dia 21 de abril até o dia 17 de janeiro deste ano. O imóvel recebeu ao menos seis perícias da Polícia Civil.  O trabalho técnico foi fundamental na elucidação do caso.

Na perícia, os peritos usaram luminol, substância para identificar sangue dentro do imóvel. Outros procedimentos também foram utilizados como uma maneira de colher provas.

De acordo com profissionais que trabalham atualmente no imóvel, a estrutura da residência não foi alterada. O espaço é amplo e conta com: três quartos, sala, cozinha, banheiro, varanda, área de serviço e quintal.

As grades de ferro que permitiam a visibilidade da varanda e da entrada principal da residência receberam chapas metálicas. Observando o interior da casa, através de um portão lateral, é possível notar a movimentação de funcionários e que há material de construção na varanda.

REFORMA

O corretor Vanildo Conti, responsável pelo imóvel, informou que a reforma foi iniciada há cerca de um mês. As obras devem durar, pelo menos, mais 30 dias. Segundo ele, os proprietários da casa ainda não decidiram se o imóvel será vendido ou alugado.

"Não tenho nada para falar sobre esse caso. Só digo que, quando a reforma acabar, vocês terão autorização para entrar e ver como ficou. Agora não é interessante mostrar porque estamos na fase de obras", disse Vanildo, ao telefone. Segundo informações repassadas à reportagem, os donos da casa não moram em Linhares.

Morador de uma região conhecida como Olaria, no Centro de Linhares, o carpinteiro Obadias Chagas, 39 anos, disse que não gosta de passar pela avenida onde aconteceu o crime. Na tarde de segunda-feira (15), ele abordou a reportagem na Rua Nicola Biancardi, a cerca de 100 metros da casa onde os meninos moravam.

"Desde que aconteceu essa maldade, não gosto de passar ali na frente. Tenho uma sensação estranha. Parei aqui porque vi a movimentação e fiquei curioso. Até hoje não acredito que tudo aconteceu como disseram que foi. Só Deus para ter piedade", disse Obadias, saindo em seguida, em sua bicicleta.

LOCAL CONHECIDO COMO RUA DA TRAGÉDIA

Moradores da Avenida Augusto Calmon, no Centro de Linhares, dizem que a rua onde está localizada a casa ficou conhecida como "Rua da Tragédia".

Uma aposentada, que reside a cerca de 30 metros da casa onde os irmãos moravam, relatou que está com dificuldades para contratar uma doméstica desde o ocorrido. Segundo ela, nos últimos meses, 27 pessoas desistiram do cargo que renderia um trabalho de carteira assinada com expediente de três dias na semana.

"Já entrevistei muita gente, mas ninguém quis ficar. Não sei se é só por causa do que aconteceu na casa ao lado, mas quando falo o endereço, logo comentam: "Já sei onde é. É a casa onde aconteceu aquela tragédia com os meninos'. Eu confirmo e marco entrevista. Algumas pessoas vêm. Outras nem aparecem", destacou.

Um jardineiro que presta serviço nos imóveis da região revelou que muitos vizinhos que moram nas casas próximas à tragédia são profissionais que atuam ou atuaram no Poder Judiciário. 

"Pouca gente de fora sabe, mas nessa rua moram muitos doutores advogados, promotores de Justiça e policiais. Presto serviço na casa deles e todos falam que esse caso foi chocante. Eu sinto um nó na garganta só de lembrar", comentou o profissional, que pediu para não ter a identidade revelada.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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