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Criminalidade

Golpe do carro quebrado: crime antigo ainda faz vítimas no ES

Mesmo as pessoas que têm conhecimento do golpe podem virar vítimas se deixarem agir pela emoção; delegado dá dicas do que fazer ao virar alvo de algum golpista

Publicado em 14 de Março de 2019 às 20:05

Publicado em 

14 mar 2019 às 20:05
Uma ligação e um pedido de ajuda financeira para consertar um carro. Essas são as duas características de um golpe antigo, mas que ainda faz vítimas no Espírito Santo. A família da jovem Gislaine Marcarini, de 21 anos, quase foi uma delas.
Ao Gazeta Online, ela contou que no dia 13 de março um golpista entrou em contato com o pai dela, se passando por um sobrinho, e informou que estava com o carro quebrado em Domingos Martins, na região Serrana do Espírito Santo. Ele pediu o valor de R$ 1,5 mil para pagar o mecânico do veículo. "Meu pai atendeu e o cara disse: 'Aqui é o seu sobrinho mais velho, lembra de mim?'. Meu pai achou que fosse um primo nosso de Nova Venécia", disse. 
De acordo com Gislaine, o golpista chegou a passar o número do telefone do suposto mecânico. A vítima ligou para ele, que afirmou que não aceitava cheque e nem cartão de crédito, e que o valor deveria ser depositado em uma conta, que foi passada para a vítima. Em um grupo, ela relatou que o mecânico chegou até mesmo a passar o nome de uma suposta empresa. Desconfiada, ela procurou o estabelecimento na internet, que não foi encontrado. 
Foi a partir daí que a jovem desconfiou que estaria caindo em um golpe. "A gente até acreditou que era meu primo vindo de Nova Venécia. Depois de um tempo meu vizinho ouviu a gente conversando com ele (o golpista) e falou que era golpe. A gente ligou para o meu primo e ele nem tinha saído de casa", contou. 
Após perceber que era um golpe, a vítima ficou enrolando os criminosos no telefone. "Quando eles ligaram de novo eu falei assim: 'Vou pedir minha prima que é policial pra depositar o dinheiro pra você porque ela trabalha perto do banco'. Depois, eles não ligaram mais", finalizou.
As pessoas devem ficar em alerta porque realmente dá pra cair. Graças a Deus a gente conseguiu perceber a tempo
Gislaine Vargas
'BONS DE LÁBIA'
Gislaine confessou que, inicialmente, achou que realmente era um familiar que estava precisando de socorro. Para ela, o que mais chamou a atenção foi a destreza dos golpistas em se comunicar. "Ele era tão bom que ele falava assim: 'Vou passar para os mecânicos que estão comigo'. Eles atendiam e falavam: "Ei, dona Gislaine, como vai a senhora? A gente não pode liberar seu primo por causa do dinheiro'". 
APOSENTADO NÃO TEVE A MESMA SORTE
Ao contrário de Gislaine, um morador de Cariacica, de 77 anos — que prefere não se identificar — não teve sorte. Há um ano, ele perdeu R$ 3,6 mil após cair no mesmo golpe. De acordo com ele, o criminoso entrou em contato, se passando por um amigo dele, e disse que precisava do dinheiro, pois o carro tinha quebrado na região de Santa Isabel, região Serrana do Estado
Ele me ligou como se fosse um amigo meu, da roça, falando que estava no sufoco, precisando de dinheiro
Aposentado, 77 anos
Acreditando que realmente seria o amigo, ele chegou a depositar inicialmente R$ 1,8 mil. Mais tarde, o golpista entrou em contato novamente com o aposentado, que depositou mais uma vez o valor de R$ 1,8 mil. Após o criminoso ligar de novo, solicitando mais um depósito no mesmo valor, a vítima se deu conta de que tinha caído em um golpe. "Depois eu entrei em contato com o meu amigo e ele estava em Minas Gerais. Mas a voz dele (golpista) era igual a dele", finalizou.
O aposentado compareceu à delegacia para registrar o boletim de ocorrência. 
"AS PESSOAS SE DEIXAM AGIR PELA EMOÇÃO"
Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), em Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
Ao Gazeta Online, o titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), Brenno Andrade, explicou que a vítima deve ficar atenta para perceber quando estiver caindo em um golpe. Ele cita que é necessário identificar o número que está ligando, o Estado de onde o golpista fala, e o ponto principal: sempre agir com a razão, e não com a emoção. 
Por mais que seja convincente a pessoa do outro lado da linha falando, pare, pense e avalie. Não responda aquilo de forma imediata. Desligue o telefone, tente entrar em contato com a pessoa que você realmente acha que está falando com você, pra ver se é verídico. Pense sempre com a razão. Por que a pessoa está precisando disso? A pessoa tem intimidade comigo para pedir isso?
Delegado Brenno Andrade
Brenno explica que os criminosos acabam tendo acesso a banco de dados com informações das vítimas, como o nome completo, data de nascimento, o número de telefone. "Eles podem se aproveitar se a pessoa for mais de idade avançada, que tem um discernimento menor, para praticar esse tipo de crime", contou.
Andrade recomenda que, caso caia em um golpe, é necessário procurar a Delegacia de Defraudações (Defa) ou alguma delegacia mais próxima para registrar um boletim de ocorrência. "A gente pede também que nunca passem informações ou confirmem os seus dados para pessoas desconhecidas", afirmou. 
GOLPISTA TENTOU ENGANAR DELEGADO
O delegado contou que, recentemente, um golpista tentou fazê-lo vítima por telefone. "A pessoa ligou pra mim, se passando por uma atendente de uma operadora de telefonia, falando que eu tinha um plano X na minha operadora. Ele perguntou: 'É isso mesmo?'. Eu respondi: 'Ué? Se é isso mesmo? Você que está me falando, então você que tem que confirmar e não eu passar pra você'", relatou. 
Após identificar que seria vítima do crime, Andrade se identificou como delegado e o golpista desligou a chamada.

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