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"Pensamento perigoso"

Família de mulher morta comenta fala de Assumção: "Leva a catástrofe"

Capitão Assumção falou em tribuna da Assembleia que pagaria R$ 10 mil para quem matasse o assassino de Maiara, morta na frente da filha nesta semana

Publicado em 

13 set 2019 às 17:33

Publicado em 13 de Setembro de 2019 às 17:33

Maiara de Oliveira Freitas foi assassinada na frente da filha Crédito: Reprodução/TV Gazeta/Instagram
Depois da declaração do Capitão Assumção do (PSL) de que daria R$10 mil para quem matasse o criminoso responsável pela morte da jovem Maiara Oliveira, assassinada na frente da filha, na última quarta-feira (11), em Cariacica, a família da vítima se pronunciou.
Família de mulher morta em Cariacica comenta declaração de deputado
Um parente de Maiara, que preferiu não se identificar, disse que a violência não é o caminho para justiça diante do abalo e sofrimento que a família está vivendo depois do crime. 
No primeiro momento, a gente até fica tentado a ir por essa via de pensamento (de vingança), mas, ao refletir melhor, essa é a mesma lógica dos assassinos
Para o familiar de Maiara, a justiça precisa existir sem a presença de mais crimes e que a calma é necessária no momento de luto para fazer o que é correto.
Nessa história de olho por olho, as pessoas acabam ficando cegas. É um pensamento perigoso. Parece justo em princípio, mas, no final, acaba levando a um círculo vicioso da catástrofe
Ainda de acordo com o familiar de Maiara, a intenção do deputado Assumção pode ter sido de ajudar, mas a alternativa foi incorreta. “Sei que há pessoas que concordam com o deputado. Acho que ele quis ajudar do jeito dele. Os assassinos saíram da casa dela comemorando e isso é uma a atitude horrível. Pessoas que não têm remorso de tirar a vida do outro sem pensar duas vezes. Todos estão em pânico”, finalizou.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou que nenhum suspeito de ter assassinado Maiara foi preso. O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).
DEPUTADO DO PSL PODE PERDER MANDATO POR CAUSA DA DECLARAÇÃO
Capitão Assumção é deputado estadual pelo PSL Crédito: Lissa de Paula/Ales
O deputado estadual Capitão Assumção (PSL) pode chegar a perder o mandato por causa das declarações dadas na tribuna da Assembleia Legislativa do Espírito Santo na última quarta-feira (11). Na sessão, o parlamentar disse que pagaria R$ 10 mil para quem matasse o suspeito de um assassinato em Cariacica
Este não foi o primeiro episódio em que Assumção fez este tipo de declaração enquanto parlamentar. Em abril, ao comentar sobre um crime que deixou um sargento da PM baleado, em Guarapari, ele afirmou que a pessoa que atirou no policial "tem que tomar tiro para morrer".
A fala do deputado é considerada por juristas como incitação ao crime, previsto no artigo 286 do Código Penal Brasileiro. De acordo com o professor e doutor em Direito do Estado, Anderson Pedra, Capitão Assumção pode responder criminalmente por isso, com possível perda do mandato como deputado.
"Teoricamente ele poderá responder criminalmente e também perante a Corregedoria da Assembleia Legislativa. Dentro dessa conduta dele, se vier a ser interposta uma ação penal diante da conduta ou um fato gravante pelo Judiciário, ele poderá perder o mandato, ou na via legislativa receber uma sanção de advertência, censura, suspensão até 30 dias", declarou, em entrevista à TV Gazeta.
O advogado explica que, enquanto parlamentar, o deputado tem dois tipos de imunidade, a material, que assegura a ele o direito de expressar opiniões e ideias mas de acordo com o nexo do mandado, e também a formal, que ao ser processado, ele pode ter o processo suspenso caso o parlamento entenda que deve ser feito isso. 
Para Pedra, contudo, a fala de Capitão Assumção ultrapassou a imunidade material e deve ser investigada.
"A fala dele é muito grave e deve ser apurada, quer seja na esfera criminal quer seja dentro da Assembleia Legislativa por meio da Corregedoria, porque aparentemente o deputado teria transbordado a imunidade pela fala, chamada imunidade material", disse. 
ENTENDA 
R$ 10 mil aqui do meu bolso para quem mandar matar esse vagabundo, isso não merece tá vivo não. Eu tiro do meu bolso quem matar esse vagabundo aí
Capitão Assumção, deputado estadual
Minutos depois, na mesma sessão, o deputado reafirmou a oferta. 
"Se esse miserável for encontrado morto e a gente tiver certeza que esse desgraçado é o cara que matou a jovem eu vou lá e pago com a maior boa vontade, não quero nem saber."
Na tarde desta quinta-feira (12), ao ser procurado pelo Gazeta Online, o deputado disse que não se arrependia da declaração e que dobraria a oferta se tivesse dinheiro
Se eu tivesse dinheiro, dobraria a oferta. Meu arrependimento é não ter oferecido mais dinheiro pela cabeça daquele vagabundo
Capitão Assumção, deputado estadual
Na mesma tarde, a Procuradoria da Assembleia Legislativa entrou com um pedido na Corregedoria da Casa para que seja investigada uma possível quebra de decoro parlamentar na fala do deputado. A Corregedoria da Casa, mesmo sem ser provocada, poderia abrir um procedimento para apurar o caso. O inciso 5º do artigo 20 do Capítulo VIII do regimento interno da Assembleia diz que o órgão, responsável por fiscalizar a conduta dos parlamentares, "independentemente de denúncia ou representação, pode promover a apuração de ato ou omissão atribuídos a deputado". 
O regimento interno também considera no art. 294 ação atentatória contra o decoro parlamentar uso de expressões em discursos que contenham "incitação à prática de crime". 

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