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Entrevista

Família de irmãos mortos na Piedade se diz aliviada após prisões

Quase quatro meses após o assassinato dos irmãos Damião Marcos Reis, 22 anos, e Ruan Reis, 19, a polícia finalmente conseguiu prender os suspeitos do crime

Publicado em 17 de Julho de 2018 às 23:58

Redação de A Gazeta

Publicado em 

17 jul 2018 às 23:58
Quase quatro meses após o assassinato dos irmãos Damião Marcos Reis, 22 anos, e Ruan Reis, 19, a polícia finalmente conseguiu prender os suspeitos do crime. Uma operação realizada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, na manhã desta terça-feira (17), prendeu os criminosos suspeitos de envolvimento nos homicídios dos irmãos.
Os presos, segundo investigações da Polícia Civil, foram expulsos da Piedade, no ano de 2012, por João Paulo Ferreira Dias. Para se vingarem do "dono do morro", eles voltaram ao local e perguntaram pelo "patrão", mas os irmãos não sabiam do paradeiro de João Paulo e, por isso, foram mortos pelos criminosos.
Leandro Correia Ramos, o Bomba, Flavio Sampaio, o Coroa, e Renato Correia Ramos foram presos nesta terça-feira (17). Além deles, dois suspeitos de participar do crime estão foragidos: Rafael Batista Lemos e Alan Rosário de Oliveira. O pai de Alan, Aladir de Oliveira Filho, morto no dia 27 de maio, também participou da morte dos irmão Ruan e Damião.
A prisão dos acusados trouxe um certo conforto para a família. “Ainda nos perguntamos o motivo para terem feito isso. Pra que tirar a vida deles? Mas já traz um alívio”, afirmou uma das irmãs das vítimas, que preferiu não ser identificada.
Qual a sua reação saber ao saber das prisões?
Foi um alívio saber que a Justiça do homem está caminhando, mesmo sabendo que esta é demorada e ainda precisa ser melhorada. Mas ainda fica a indagação: Por que tanta crueldade com pessoas que nunca mexeram com nada errado? Queria saber o que se passa na cabeça deles.
Como foi saber quem eram os assassinos?
Ao mesmo tempo do alívio é triste ver rapazes novos, alguns criados ali na comunidade, que já jogaram bola ou estudaram com meus irmãos, acabando com a vida de famílias e com as próprias vidas. A dor que sinto é da perda. Não desejo pra ninguém.
Dá pra perdoar essas pessoas?
Uma coisa que Damião e Ruan deixaram era que o perdão era a forma mais humilde, gratificante e linda de se sentir paz e de que você fez a coisa certa. Eu, hoje, só peço a Deus que mude o coração deles e que eu possa perdoá-los.
Como tem sido lidar com a saudade?
A saudade não passa, ela dorme e acorda todos os dias comigo, é difícil demais. Só Deus sabe o que é conviver com a ausência deles. O filho do Damião, que completou dois anos no dia da morte, pergunta do pai.
As prisões resolve a insegurança na Piedade?
Não, é preciso educação e oportunidade. E também leis mais rígida. Quem não tem isso acaba vendo no tráfico de drogas e no crime uma forma de sobreviver e faz com que cidadãos de bens pagam essa conta com a vida.
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