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Duas quadrilhas

Entenda o esquema que causou prejuízo milionário a mineradora no ES

De 13 indiciados, sete foram presos. Grupos realizavam furtos de bobinas de cobre e baterias estacionárias

Publicado em 14 de Julho de 2026 às 19:56

Lucas Gaviorno

Publicado em 

14 jul 2026 às 19:56
Da esquerda para a direita: Cristiano Macedo Dessaune, Francisco Tiago Guerra, Angles Klitzke Detman e Ernande Pacheco Martins
Da esquerda para a direita: Cristiano Macedo Dessaune, Francisco Tiago Guerra, Angles Klitzke Detman e Ernande Pacheco Martins, presos e denunciados pelo MP Divulgação/PC

A Polícia Civil do Espírito Santo desarticulou duas associações criminosas investigadas por causar prejuízos milionários a uma mineradora, em Vitória, desde 2025. A fraude contava com a participação direta de funcionários e prestadores de serviço terceirizados da própria empresa. 


No total, 13 pessoas foram indiciadas e sete pessoas foram presas pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic). As informações foram divulgadas pela Polícia Civil nesta terça-feira (14) e as prisões aconteceram em junho. O nome da mineradora não foi divulgado.


A polícia descobriu que as quadrilhas  que não agiam de forma conjunta  eram responsáveis pelos desvios: uma focada em bobinas de cobre e outra no furto de baterias estacionárias. Somente no furto das bobinas, o prejuízo é de R$ 1,5 milhão. 

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Esquema das bobinas

De acordo com o delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), o primeiro esquema, descoberto em maio deste ano, era responsável pelo desvio das bobinas e possuía funções bem definidas entre os integrantes.


"Havia o líder interno, que guardava, identificava e quantificava as bobinas para passar as informações para o líder externo, que falsificava e-mails e notas fiscais. Essas informações eram encaminhadas ao motorista que ia de caminhão à empresa, utilizava um crachá de um funcionário e adentrava no galpão", disse o chefe do Departamento Especializada de Investigações Criminais (Deic).


Além deles, três funcionários faziam a logística através de guindastes, colocavam as bobinas em um caminhão e saíam da empresa para revender os produtos em outras cidades da Grande Vitória. Imagens do circuito interno da empresa e do sistema de Cerco Inteligente do Governo do Estado registraram o caminhão deixando a mineradora carregado, seguindo até Guarapari e retornando vazio.


A extração de dados dos celulares dos investigados revelou que o grupo praticava os furtos desde novembro de 2025.  As bobinas furtadas ainda não foram recuperadas e os receptadores seguem sem identificação.


No início de junho, quatro funcionários foram presos em flagrante: Cristiano Macedo Dessaune, Francisco Tiago Guerra, Angles Klitzke Detman e Ernande Pacheco Martins. Todos confessaram participação no esquema e responderão pelos crimes de furto qualificado, concurso de pessoas e associação criminosa.


Outros três investigados — Weverton Dias de Oliveira, Robson Rodrigues de Almeida e Aldierio Viana Guimarães — foram indiciados. A reportagem tenta localizar a defesa de todos os envolvidos. O espaço segue aberto para manifestação.

Da esquerda para a direita: Weverton Dias de Oliveira, Robson Rodrigues de Almeida e Aldierio Viana Guimarães, indiciados e denunciados pelo Ministério Público no caso das bobinas de cobre
Da esquerda para a direita: Weverton Dias de Oliveira, Robson Rodrigues de Almeida e Aldierio Viana Guimarães, indiciados e denunciados pelo Ministério Público no caso das bobinas de cobre Divulgação/PC

Baterias estacionárias

Durante as investigações das bobinas, foi identificado outro grupo criminosos que furtava baterias estacionárias da empresa — utilizadas para movimentar locomotivas e alarmes de incêndio. Assim como no primeiro caso, o esquema também contava com a participação de funcionários da empresa, e três integrantes já foram presos.


De acordo com Gabriel Monteiro, quando as baterias atingiam meia vida útil, elas eram destinadas ao descarte pela mineradora. No entanto, os investigados aproveitavam esse processo para separar unidades que ainda apresentavam boas condições de funcionamento.

Parte das baterias estacionárias recuperadas
Parte das baterias estacionárias recuperadas Divulgação/PC

A ação contava com a participação de um proprietário de uma loja de baterias, que emprestava um veículo para a retirada do material. O delegado disse que um funcionário da mineradora — que era responsável pela guarda dos produtos — separava as baterias que ainda tinham uma boa funcionalidade. 


Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, a Polícia Civil encontrou 20 baterias com um receptador, proprietário de uma loja na Serra, que revendia os equipamentos sem autorização. Ele foi indiciado por receptação qualificada, mas ainda não foi preso.


A polícia identificou que o grupo agia desde 2022. Com o que foi recuperado até agora, a empresa acredita que o prejuízo com as baterias seja de R$ 20 mil. Neste caso, os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

Algumas baterias estacionárias recuperadas pela Polícia Civil
Algumas baterias estacionárias recuperadas pela Polícia Civil Divulgação/PC

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