Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Capixaba
  • Polícia
  • Empresários são presos em operação contra venda ilegal de armas para facções no ES
Ação interestadual

Empresários são presos em operação contra venda ilegal de armas para facções no ES

Polícia apreendeu 118 armas e mais de 4 mil munições em nove lojas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro; funcionário também foi preso

Publicado em 19 de Outubro de 2026 às 21:17

Mikaella Mozer

Publicado em 

19 out 2026 às 21:17

Dois empresários e um funcionário de uma loja de armas foram presos durante uma operação da Polícia Civil que investiga um esquema de comércio ilegal de armas de fogo e munições destinadas a organizações riminosas. Segundo a corporação, estabelecimentos utilizavam documentos falsos e irregularidades nos registros de compra e venda para desviar armamento.


A Operação Câmara Fria foi realizada no dia 7 de outubro, quando foram apreendidas 118 armas de fogo e cerca de 4 mil munições. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em nove lojas, sendo cinco na Grande Vitória, uma em Castelo, no Sul do Espírito Santo, e três no Rio de Janeiro. Os detalhes da investigação foram divulgados pela Polícia Civil em entrevista coletiva nesta segunda-feira (19). 


Conforme apuração da repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, os presos são Luciano dos Santos Freitas, de 60 anos, proprietário de uma loja em Campo Grande, em Cariacica; Israel Rufino dos Santos, de 49, dono de um estabelecimento em Vila Merlo, também em Cariacica; e Arlenn Carvalho Muzzi, de 43, funcionário de Israel.


Os três foram presos em flagrante por suspeita de falsidade ideológica e comércio ilegal de armas de fogo e munições. A operação contou com participação da Polícia Militar, da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), do Exército Brasileiro e da Secretaria da Fazenda do Espírito Santo (Sefaz)

Como funcionava o esquema
Segundo o delegado Guilherme Eugênio Rodrigues, titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), os estabelecimentos investigados compravam munições, principalmente importadas, sem comunicar as aquisições ao Exército Brasileiro.

Como essas compras não constavam no sistema de controle, as lojas conseguiam, segundo a investigação, vender as munições ilegalmente, sem emissão de notas fiscais e sem que as operações fossem identificadas pelos órgãos de fiscalização.

Já as armas de fogo eram adquiridas legalmente pelos estabelecimentos, mas posteriormente comercializadas mediante a utilização de documentos falsos.
Material apreendido durante a Operação Câmara Fria
Material apreendido durante a Operação Câmara Fria Divulgação | Polícia Civil

De acordo com Rodrigues, em alguns comércios, as munições eram vendidas com documentos de terceiros, sem o conhecimento dos titulares. Em outros casos, eram utilizados registros falsos para a aquisição de armas.


O delegado apontou ainda falhas no sistema utilizado para registrar a comercialização de munições, que permitiriam o lançamento de vendas com CPFs inválidos ou pertencentes a pessoas sem autorização legal para adquirir o material.


“A única fabricante nacional de munições, que é a CBC, criou um sistema informático que gere a venda de munições. Nele, era possível a inserção do CPF inválido, do CPF de qualquer bandido e de um CPF de alguém não habilitado legalmente para compra de uma arma, e era possível registrar uma venda inidônea para uma pessoa inapta para essa aquisição”, detalhou o delegado.


Diante da identificação de irregularidades semelhantes em outros estados, o Instituto Sou da Paz reuniu representantes de órgãos de segurança e fiscalização para discutir formas de aprimorar o controle sobre a comercialização de armas e munições.


Segundo Rodrigues, o encontro contou com representantes do Exército, da Receita Federal e da Polícia Federal e resultou na criação de um mecanismo de consulta pública para verificar a autenticidade de autorizações e registros.


“O comprador podia aparecer em uma loja e o lojista não tinha, tecnicamente, como ter a certeza de que aquele documento era falso. Após a reunião, foi criado no final do primeiro semestre um mecanismo de consulta pública em que se pode verificar toda autorização de venda, transporte, registro de arma ou registro de atirador no GOV.BR”, explicou o delegado. 

Investigação começou em 2024

A investigação teve início em 2024, durante uma apuração sobre a venda ilegal de armas envolvendo um empresário de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. A partir daquele caso, a Polícia Civil identificou indícios de irregularidades em outros estabelecimentos do setor.

Material apreendido durante a Operação Câmara Fria
Material apreendido durante a Operação Câmara Fria Divulgação | Polícia Civil

Segundo o delegado, duas lojas, localizadas em Cariacica e Guarapari, chegaram a realizar vendas de dezenas de armas que, conforme a investigação, teriam como destino uma facção criminosa do Estado. No entanto, após a repercussão da prisão do primeiro empresário investigado, os estabelecimentos cancelaram as operações e recompraram o armamento.


“Com a repercussão da prisão, duas lojas, uma em Cariacica e outra em Guarapari, que haviam concluído essas vendas, iriam desaguar dezenas de armas nas mãos de uma facção criminosa aqui do Estado e, ao perceberem a repercussão da prisão do empresário anterior, cancelaram as vendas, recompraram as armas”, relatou.


Durante um interrogatório, um dos proprietários afirmou que a polícia só conseguiria identificar irregularidades envolvendo munições, e não armas de fogo. A declaração chamou a atenção dos investigadores, que decidiram aprofundar a apuração.


Com o apoio da Receita Federal, a Polícia Civil identificou estabelecimentos que haviam adquirido munições e passou a verificar se o material ainda estava em estoque ou havia sido comercializado.


As equipes também cruzaram informações sobre notas fiscais, registros de venda e documentação dos compradores para verificar se eles tinham autorização legal para adquirir armas e munições.


“Nós pegamos, com a ajuda do Exército, todas as vendas feitas por essas lojas e começamos a verificar venda por venda, nota por nota, graças à Receita, quem eram os compradores. Fomos consultando nos nossos sistemas se os compradores eram ou não habilitados a comprar. A cada nova loja surgiam novos compradores que levavam a outras lojas. É uma progressão ao infinito”, explicou o delegado.

Material apreendido durante a Operação Câmara Fria
Material apreendido durante a Operação Câmara Fria Divulgação | Polícia Civil

Armas apreendidas passarão por perícia

As 118 armas apreendidas durante a operação serão submetidas a exames da Polícia Científica para verificar possíveis adulterações e identificar se podem ter sido utilizadas em outros crimes.


Segundo o perito oficial-geral Carlos Alberto Dal-cin, os resultados poderão ser inseridos no Banco Nacional de Perfis Balísticos, permitindo o cruzamento de informações com outras investigações.


“Vamos examinar, verificar em qual contexto elas se encontram atualmente e se há possibilidade de terem sido usadas ou estarem adulteradas, e aprofundar para inseri-las no banco balístico nacional, que pode fazer correlações para caso elas tenham sido usadas em algum delito”, explicou.


A investigação continua para identificar outras possíveis irregularidades e esclarecer o destino das armas e munições comercializadas. "Quase a totalidade das empresas são do Simples Nacional. Nessa situação, elas não são obrigadas a fazer informe mensal da escrituração fiscal digital. Estamos agora intimando essas empresas para apresentarem o relatório de estoque para cruzarmos os dados e subsidiar a polícia em relação ao estoque", detalhou Guilherme. 


A reportagem tentou localizar a defesa dos três presos, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Veja Também 

F faz operação na BR-101 Sul após ocupantes atirarem contra agentes

Suspeitos atiram contra PRFs durante abordagem na BR 101 no Sul do ES

Viatura da Polícia Militar; viatura; Polícia Militar

Homem de 62 anos é preso por importunação sexual no Centro de Marataízes

Motociclista morre após bater em pé de árvore em Linhares

Homem de 44 anos morre em acidente de moto em Linhares

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Projeto aprovado na Câmara proíbe postos de cobrar por calibragem de pneu em Cariacica
Temporal com granizo surpreende moradores de Ecoporanga
Chuva de granizo surpreende moradores da zona rural de Ecoporanga
Imagem de destaque
Idosa de 81 anos é derrubada e tem cordão roubado em Vila Velha; vídeo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados