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Assassinato em feira

'Deus, me perdoa. Vou morrer', disse jovem morto em feira gastronômica

O jovem Herick Costa Nunes, 21 anos, que foi assassinado após discutir com um homem durante uma feira gastronômica em Vila Velha na noite desta sexta-feira (7)

Publicado em 08 de Junho de 2019 às 17:14

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 jun 2019 às 17:14
"Deus, me perdoa! Me perdoa, Deus… Vou morrer! Cadê o meu pai?". O presbítero Alex Sandro Coutinho Nunes, 49 anos, disse que essas foram as últimas palavras ditas pelo filho dele, o jovem Herick Costa Nunes, 21 anos, que foi assassinado após discutir com um homem durante uma feira gastronômica, em Vila Velha, na noite desta sexta-feira (7).
Herick foi assassinado a tiros na Rua Minas Gerais, em Ponta da Fruta, por volta das 22h. O suspeito do crime Ivanildo Santos da Cruz, 39 anos, foi perseguido e agredido por pessoas que estavam no local. Por causa dos ferimentos, ele foi encaminhado para o Hospital São Lucas, em Vitória.
Segundo familiares, Herick participava de uma feira gastronômica e artesanal acompanhado da namorada, um irmão dele e a cunhada. O pai dele, que trabalha como construtor civil, foi informado por um dos filhos que Herick e Ivanildo iniciaram uma discussão porque o suspeito teria mexido com a namorada do jovem.
"A gente nunca confirma o que os nosso olhos não viram. Posso relatar informações que me deram. Segundo o irmão que estava com ele, o Herick estava lanchando e certa pessoa começou a dar ousadia com namorada dele. Ele tirou ela para outro lado e o homem foi insistente. Como ele insistiu, Herick foi perguntar o que estava acontecendo. Aí esse rapaz tirou a arma e atirou no meu filho", disse.
Data: 08/06/2019 - ES - Familiares de Herick Costa Nunes vão ao DML liberar o corpo do jovem assassinado a tiros na Ponta da Fruta, em Vila Velha Crédito: Vitor Jubini
Herick foi atingido com dois disparos. Na hora do crime, a feira estava lotada. O público presente começou a correr a se esconder por medo de ser atingido por algum disparo. Os familiares e amigos que estavam no local levaram a vítima para um hospital do município.
TENTATIVA DE FUGA
Ivanildo correu e tentou fugir em um veículo. Ao tentar manobrar, ele bateu em carros estacionados e acabou localizado por pessoas que flagraram o assassinato. Ele foi cercado, abordado e agredido por um grupo de pessoas que não foram identificadas pela Polícia Militar. Com ele, a PM encontrou 25 munições calibre 32.
O suspeito foi encaminhado para o Hospital Antônio Bezerra de Farias. De lá, Ivanildo foi transferido para o Hospital São Lucas, em Vitória, onde permanece sob a escolta dos militares. A Polícia Civil informou que ele foi autuado em flagrante por homicídio. Assim que receber alta, ele será encaminhado para o Centro de Triagem de Viana.
VELÓRIO E SEPULTAMENTO
Familiares e amigos de Herick Costa Nunes informaram que o velório do jovem será realizado na Igreja Assembleia de Deus Pentecostal, localizada na rua Wolmar Médice, número 25, em Ponta da Fruta, Vila Velha. O sepultamento será realizado na manhã deste domingo (9), no Cemitério Municipal de Ponta da Fruta.
ENTREVISTA COM O PAI DA VÍTIMA
Aguardando atendimento para liberar o corpo do filho no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, o presbítero Alex Sandro Coutinho Nunes, 49, disse que o filho era um "menino trabalhador, quieto e sossegado. Ele era uma pessoa do bem e morreu como mais uma vítima desse mundo violento".
08/06/2019 - ES - Vitória - Alex Sandro Coutinho Nunes, pai de Herick Costa Nunes, foi ao DML liberar o corpo do jovem assassinado a tiros na Ponta da Fruta, em Vila Velha Crédito: Vitor Jubini
Alex Sandro atua há sete anos como presbítero na Igreja Assembleia de Deus - Ministério Nova Vida, em Ponta da Fruta. Além de realizar pregações, Alex Sandro atua fazendo evangelização nas ruas, em casas de recuperação para dependentes químicos e para famílias que vivem o drama de conviver com parentes viciados em drogas.
Como o senhor soube do assassinato do seu filho?
Eu tinha pregado em uma casa de recuperação. Cheguei em casa alegre, brincando com meus netinhos e, de repente, alguém me liga dizendo: "sabe da notícia?". Eu falei: "não". "Infelizmente, eu vou ser o portador: balearam seu filho".
Qual foi sua reação e da família?
Eu fui direto para o hospital onde meu filho estava. A mãe dele ficou sem saber o que fazer.
O que sabe sobre o assassinato?
A gente nunca confirma o que os nosso olhos não viram. Posso relatar informações que me deram. Segundo o irmão que estava com ele, o Herick estava lanchando e certa pessoa começou a dar ousadia com namorada dele. Ele tirou ela para outro lado e o homem foi insistente. Como ele insistiu, Herick foi perguntar o que estava acontecendo. Aí esse rapaz tirou a arma e atirou no meu filho.
O que a família espera que aconteça de agora em diante?
A gente já sabe o que aconteceu e a gente perdoa essa pessoa. O que a gente espera é que essa pessoa se recupere, que Deus possa transformá-la e que a sua família não sofra como a gente. Mesmo que ele tenha apertado o gatilho para matar o meu filho, desejo que a família dele não sofra a perda que nós sofremos. Não se paga o mal com mal. Se não tiver amor no coração, não adianta nada nessa vida.
Como foi o último momento que teve com o seu filho? Como ele era?
Meu filho era uma menino trabalhador, quieto e sossegado. Ele trabalhava em um pet shop, fazendo exposição de animais e outros serviços. Quando não estava viajando a trabalho, estava por aqui fazendo algo na construção civil. Meu filho era uma pessoa do bem e morreu como mais uma vítima desse mundo violento. O que me conforta é saber que antes de morrer ele disse: "me perdoa, Deus. Deus, me perdoa". A próxima pergunta que ele fez foi "cadê meu pai?".
Como o senhor soube disso?
Meu filho, que estava com ele na ambulância, contou.
O Herick também participava da mesma igreja que o senhor frequenta?
Meu filho foi criado dentro da igreja, mas estava parado. Ele ia nos visitar de vez em quando.
Qual era o tema da pregação?
Eu tinha acabado de pregar para as pessoas sobre a violência, falei que a gente não está preparado para uma briga. Na pregação, eu tinha dito que o pai não está preparado para perder filho, a mãe não está preparada para perder o filho. Eu não sabia que, naquele momento, eu estava falando para mim mesmo.
Nesse momento, o presbítero pede para deixar uma mensagem.
Olha, vocês nesse trabalho podem ser um instrumento para ajudar as pessoas, podem deixar uma mensagem de incentivo para as pessoas. Se você tem o seu pai e sua mãe, viva o máximo com eles. Aproveita o máximo porque o dia de amanhã nós não sabemos. Viva cada momento: abrace, se você vai dizer que ama, diga agora. Não podemos viver dia de Finados com flores chegando atrasadas, com palavras lançadas ao vento e em vão. Quando a gente tem algum sentimento, a gente tem que expor enquanto a pessoa está viva. Agora, minha luta para ajudar as pessoas vai ficar ainda mais forte. Eu vou lutar ainda mais pelas famílias que estão sofrendo com seus filhos correndo o risco de morrer por causa das drogas. Meu filho não tinha envolvimento com nada de errado, mas vou dedicar mais e mais o meu tempo e a minha vida para salvar outras vidas.
 

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