A mãe do adolescente Gustavo Salles Siqueira, 16 anos, que foi morto por um bando armado na noite de domingo (28) no Bairro das Laranjeiras, na Serra, contou que ouviu o filho pedindo ajuda para não morrer após ter levado o primeiro tiro. A dona de casa de 33 anos conversou com jornalistas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na manhã desta segunda-feira (29).
Onde a senhora estava na hora do crime?
Eu estava em uma igreja evangélica que fica na mesma rua onde meu filho foi morto. O Gustavo foi lá me pedir a chave da casa. Eu entreguei e saí logo atrás dele porque o culto estava acabando.
O que viu?
Acho que meu filho não tinha se dado conta do que estava acontecendo ali, porque ele viu o carro parado e tentou desviar o caminho. Eu não vi o rosto de ninguém que estava ali, mas ouvi alguém dizendo: 'aonde você vai? Você não vai embora, você perdeu também!'. Aí puxaram ele pela camisa e deram um tiro na cabeça do meu filho (choro). Eu ouvi ele gritando: 'mãe, me ajuda! Me ajuda, mãe!'. Eu fiz sinal com a mãe como se tivesse respondendo: filho, a mamãe não pode fazer nada agora (choro). Eu tive medo de fazer alguma coisa e eles me matarem junto com meus outros filhos. Logo em seguida, deram outro tiro na cabeça do meu filho (choro).
A entrevista é pausada em virtude do choro da mãe.
Eu vi meu filho morrer e não pude fazer nada (choro). Eu estava com três irmãos dele, sendo que uma estava no meu colo. Minha filha mais nova só tem 3 meses e outros que estavam comigo tem 5 e 7 anos. Todos viram tudo. Como eu poderia fazer alguma coisa, meu Deus?!
E qual foi a sua reação diante da cena?
Minhas vistas começaram a escurecer... Eu ainda não estou acreditando que meu filho morreu. Traz meu filho de volta, meu Deus! Fala que ele está dormindo e que vai acordar logo, meu pai! Como vou ficar sem o abraço do meu filho? (choro).
O seu filho já tinha sido apreendido por algum motivo?
Ele já foi preso por tráfico de drogas porque a polícia achou droga com ele. Meu filho foi para o DPJ (delegacia), mas saiu no mesmo dia. Ele estava há uns dois sem mexer com o tráfico, mas voltou há uma semana.
A senhora conversava com ele sobre deixar a vida do crime?
Eu falava com ele: 'meu filho, você não tem amigo no tráfico de drogas. A nossa família é humilde, mas não fica nisso porque não é bom'. Ele entrou nessa vida por má influência dos amigos. Eu nunca tinha passado por uma dor dessas. Eu orava muito pelo meu filho...