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Morte na mata da Praia

Caso Gabriela Chermont: júri popular é remarcado para outubro

A inclusão de documentos pela defesa do Réu, dentro do prazo legal, fez com que a data do julgamento fosse alterada pela quinta vez

Publicado em 30 de Agosto de 2019 às 17:41

Isabella Arruda

Publicado em 

30 ago 2019 às 17:41
Gabriela Chermont morreu em 21 de setembro de 1996 Crédito: Arquivo da família
O júri popular do acusado de matar Gabriela Regattieri Chermont, 19 anos, foi adiado por decisão judicial nesta quinta-feira (29) e deverá ser realizado no dia 1 de outubro. O julgamento seria realizado já no dia 3 de setembro, mas a inclusão de documentos pela defesa do Réu, Luiz Claudio Ferreira Sardenberg, dentro do prazo legal, fez com que a data fosse alterada pela quinta vez, para que então haja tempo hábil para manifestação da acusação sobre os novos laudos trazidos ao processo.
De acordo com o advogado e assessor Paulo Barcellos Pantaleão, assistente do advogado Cristiano Medina da Rocha, à frente do caso, em defesa dos interesses da família da vítima, o teor de um dos laudos anexados ao processo será impugnado. "A defesa está de má-fé, ela tinha esse laudo desde maio de 2018, teve muito tempo para juntar ao processo e resolveu fazer isso uma semana antes do júri. O próprio juiz afirma desconhecer a razão para isso. O parecer psiquiátrico, no qual dei uma lida rápida, é bastante infundado. A Gabriela não tinha perfil suicida. É um absurdo a defesa trazer um laudo neste sentido, é culpabilizar a vítima. Temos aí mais um adiamento em um caso de uma pessoa foi morta há 23 anos", afirmou.
Para a mãe da vítima, Eroteides Regattieri, a demora na resolução do caso é angustiante e a deixa exausta, como se precisasse viver em função de uma data.
Esta é a sexta vez que vou me preparar para o júri, isso está me exaurindo, invadindo minha privacidade, que eu prezo muito. Isso não me deixa confortável. A minha filha não está aqui para se defender e contar verdadeiramente o que aconteceu, mas posso falar pelo que eu vi. A defesa está fazendo manobras e isso me cansa muito
Mãe de Gabriela
Ela ainda manifestou indignação com a apresentação de laudos que foram produzidos em 2018 e só agora foram apresentados. "23 anos depois ainda estão fazendo laudo e só apresentaram três dias antes. Por que esse adiamento todo? A pergunta que eu faço é: eles estão com medo de que? Estou exausta, mas sempre preparada, a justiça será feita. As pessoas que conheceram minha filha é que podem falar, já que não vou ter minha filha de volta. Quero respeito a ela. Eles estão prejudicando a minha família com essa demora", completou.
DEFESA DO RÉU
Procurado pela reportagem, o advogado de Sardenberg, Raphael Câmara, afirmou não ter sido a defesa quem deu causa a adiamentos no processo. "A defesa tem todo o interesse em que o júri aconteça o mais rápido possível. Todas as provas técnicas produzidas pela Polícia Civil capixaba comprovam que Gabriela não sofreu agressão, não sofreu lesão e que ela de fato cometeu suicídio. É por isso que a defesa espera que o julgamento aconteça com a máxima brevidade", alegou. 
REDES SOCIAIS
Durante esta quinta-feira (29), as redes sociais foram inundadas de protestos contra o adiamento do Júri popular. Mas, segundo informações da Promotoria Criminal de Vitória, do Ministério Público Estadual (MPE), a inclusão de novos documentos no processo pode ocorrer até três dias antes do julgamento e é considerado um direito para as duas partes, acusação e defesa.
Neste caso, após a inclusão de dois laudos que haviam sido produzidos em 2018, pela defesa do acusado, o juiz teria que, em seguida, intimar a parte contraria a se manifestar sobre o novo documento. Assim, a Promotoria Criminal e, em seguida, a assistência da acusação, teriam que ter direito a analisar o documento. Como não havia tempo suficiente para isto até o dia 3, o julgamento foi adiado.
"O acusado juntou documentos no tempo processual correto e nunca deu causa a qualquer adiamento. Todos os laudos periciais oficiais indicam que Gabriela suicidou-se, não existindo indícios de agressões, discussões ou lesões que sustentem a tese de homicídio”,afirma Raphael Câmara, advogado de Sardenberg.
 
 

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