Um casal foi preso na noite de domingo (19) acusado de manter uma mulher de 37 anos em cárcere privado por cerca de duas semanas em um apartamento no bairro Itapuã, em Vila Velha. Durante o período em que ficou no quarto no apartamento, a mulher estaria sendo agredida com um alicate tipo corta-frio.
No interior do imóvel, em um dos quartos, de acordo com a Polícia Militar, a mulher foi encontrada amarrada a um colchão com o uso de um cinto, completamente nua, apresentando diversos ferimentos pelo corpo e coberta por fezes. O forte odor de fezes se espalhava por toda a residência.
Nilo Perovano Ferreira, de 40 anos, e Lorrane Martins dos Santos, de 30 anos, foram presos em flagrante pela Polícia Militar na noite de domingo depois de os militares terem sido acionados por um homem de 43 anos com ferimento na cabeça, que teria descoberto a situação da mulher mantida refém. Existe ainda a suspeita de participação de uma terceira pessoa no crime, um homem que teria deixado o local pouco antes da chegada da polícia.
Segundo informações do repórter André Afonso, da TV Gazeta, o homem agredido contou aos policiais que estava bebendo em um bar com Nilo, conhecido dele. Até que em um determinado momento Nilo o chamou para subir ao apartamento dele, no primeiro andar. Lá, o homem agredido encontrou a mulher amarrada em um colchão com cinto, nua, ferida e coberta de fezes.
De acordo com nota divulgada pela Polícia Militar, ao chegar ao local, Nilo teria solicitado a ele que limpasse a vítima, afirmando que não conseguiria fazer a limpeza. Nilo também informou que a havia agredido a mulher com um alicate, atingindo o corpo dela com violência, o que teria feito com que a vítima não conseguisse mais movimentar as pernas.
Ao presenciar a situação, ainda segundo a nota, o homem de 43 anos tentou acionar o Samu e buscar socorro, mas foi impedido e agredido fisicamente pelos três suspeitos, que pegaram e quebraram seu aparelho celular. Para fugir do local, ele arrombou a porta do apartamento e foi empurrado pela escada, sofrendo uma lesão na cabeça.
Ao chegarem ao endereço indicado, os militares encontraram Nilo e Lorrane em frente à residência. Inicialmente, o casal negou o crime, alegando que o desentendimento com a testemunha teria ocorrido porque o homem tentou beijar Lorrane à força. No entanto, devido ao estado físico da testemunha e ao forte odor de fezes vindo do interior do imóvel, a polícia realizou uma averiguação no apartamento. A PM, na nota, afirmou que os policiais ainda ouviram um gemido de sofrimento vindo da residência.
No apartamento, a polícia apreendeu um alicate do tipo corta-frio, que teria sido utilizado para agredir o corpo da mulher.
À polícia, Nilo admitiu que mantinha a mulher detida há cerca de duas semanas, alegando que ela seria deficiente para tentar justificar as condições em que ela se encontrava.
Embora Lorrane tenha afirmado desconhecer a situação e que apenas estava de visita, seus pertences pessoais foram encontrados no quarto adjacente ao local onde a vítima estava presa.
A vítima e o homem ferido na cabeça foram socorridos pelo SAMU e encaminhados ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória.
Os dois foram autuados em flagrante por tortura, tentativa de homicídio, cárcere privado e associação criminosa. Após os procedimentos de praxe, ambos foram encaminhados ao sistema prisional. O caso seguirá sob investigação.