Uma compra em um supermercado em Campo Grande, em Cariacica, terminou em constrangimento para uma auxiliar de limpeza de 54 anos. À reportagem da TV Gazeta, ela contou que foi acusada de furtar produdos e humilhada por seguranças do Extrabom na manhã de quarta-feira (8).
A Polícia Militar foi acionada e, após verificar a nota fiscal apresentada pela mulher, constatou que os produtos encontrados com ela haviam sido pagos. Segundo a ocorrência, a auxiliar havia desembolsado R$ 125 pela linguiça, bacon e capa de filé bovino. O chefe da equipe de segurança chegou a ser detido e autuado em flagrante, mas foi liberado para responder em liberdade após pagar fiança de R$ 3 mil.
A mulher contou que, após pagar pelas compras, colocou os produtos na bolsa. Ao deixar o estabelecimento, uma segurança a abordou usando um pretexto religioso para levá-la para uma sala da loja. A vítima afirmou ainda que não teria passado pela mesma situação caso fosse uma pessoa branca.
“Quando eu entrei na sala, ela já começou a me agredir, alterando a voz comigo e me chamando de ladra, e mandando eu esvaziar minha bolsa. Ela tentou tomar a bolsa; eu comecei a gritar: 'Socorro, socorro, socorro!'. Aí ela chamou mais três seguranças, e eu vivi momentos de terror naquela sala”, detalhou a auxiliar de limpeza.
Segundo a auxiliar de limpeza, ela permaneceu cerca de três horas na sala até a chegada da Polícia Militar. Durante o tempo, afirmou ter sido constrangida pelos seguranças e pressionada a apresentar a nota fiscal. Com receio de que o comprovante fosse rasgado, disse que só entregaria aos policiais.
“Quando eu gritava por socorro, ele gritava mais alto ainda. Sua ladra, sua ladra. E, na hora em que eu falei: ‘Quero ligar para minha filha', eles tomaram o telefone da minha mão e falavam para não me entregar o telefone. Mandavam eu confessar, fazendo aquela pressão psicológica, e pediram a notinha. Eu fiquei com medo de eles rasgarem. Era a única prova que eu tinha para mostrar aos policiais”, detalhou a vítima.
Depois de os militares verificaram que as mercadorias haviam sido pagas, segundo a mulher, representantes do supermercado pediram desculpas e ofereceram uma caixa térmica. “Ele chegou pedindo desculpas, dizendo que não precisava de eu ir à delegacia, e me ofereceu uma bolsa. E eu disse: ‘Não, eu fui muito humilhada, isso não vai acabar aqui’. Eu quero justiça sobre todas as pessoas que estavam dentro daquela sala e me agrediram, que respondam em processo”, afirmou a mulher.
Chefe de segurança impediu
Segundo a Polícia Militar, o chefe da equipe de segurança dificulto a atuação dos agentes durante a ocorrência. Conforme o registro, ele impediu que a funcionária responsável pela abordagem apresentasse os documentos e acompanhasse os policiais até a delegacia, apesar da solicitação dos militares.
Ainda de acordo com a PM, o chefe dos seguranças informou que havia sido orientado pelo gerente a fornecer apenas os nomes dos envolvidos. Diante da resistência, ele foi conduzido à Delegacia Regional de Cariacica.
Na unidade policial, o homem foi autuado em flagrante por cárcere privado, desobediência e favorecimento pessoal. Ele foi liberado para responder em liberdade após pagar fiança de R$ 3 mil.
Em nota, o Extrabom informou que está apurando os fatos e que adotará as medidas cabíveis após os esclarecimentos e o levantamento das informações. A empresa também afirmou que mantém compromisso com o respeito, a dignidade e a segurança de clientes e colaboradores.