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Morre o empresário norueguês Erling Lorentzen, fundador da antiga Aracruz Celulose

Integrante da família real norueguesa, o empresário radicado no Brasil fundou a companhia na década de 1970 e também tinha um grande vínculo com Pedra Azul, em Domingos Martins

Publicado em 09 de Março de 2021 às 10:13

Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 mar 2021 às 10:13
Morreu, na noite de segunda-feira (8), na Noruega, o empresário Erling Sven Lorentzen, 98 anos, fundador da antiga Aracruz Celulose [hoje Suzano], após uma curta doença. A informação foi confirmada pela família real norueguesa, da qual era membro.
"Nossos pensamentos vão para seus entes queridos, que perderam um bom pai, sogro, avô e bisavô"
Rei Harald V - Majestade, era cunhado do empresário, e disse isso em comunicado oficial
Rei Harald V, da Noruega
Rei Harald V, da Noruega, lamentou a morte do cunhado Crédito: Divulgação/Família Real Norueguesa

TRAJETÓRIA

Empresário norueguês radicado no Brasil, Lorentzen nasceu em Oslo, na Noruega, em 28 de janeiro de 1923.
Aos 17 anos, comandou um pelotão da resistência norueguesa contra os alemães durante a Segunda Guerra Mundial, e, em 1945, quando o embate chegou ao fim, foi aceito na universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Erling Sven Lorentzen
Erling Sven Lorentzen, na Noruega Crédito: Heiko Junge/NTB
Em 1953, casou-se com a princesa Ragnhild Alexandra, da Noruega - a filha mais velha do rei Olavo V e da princesa Marta, da Suécia. Ela era irmã do atual rei. O casal esteve junto por quase 60 anos, até o falecimento de Ragnhild em 2012, em decorrência de um câncer. Juntos, tiveram três filhos.
Lorentzen chegou ao Brasil ainda na década de 1950, em decorrência dos negócios da família no segmento de transporte marítimo. Viu oportunidades para investir em gás (GLP) e adquiriu, da norte-americana Esso, a distribuidora de gás de cozinha e, em seguida, abriu sua própria companhia de navegação, a Norsul.
Na década de 1960, começou a dar corpo ao projeto com o plantio florestal, que previa a exportação de cavaco. Buscando agregar valor e gerar riqueza com a industrialização, o executivo norueguês sugeriu então o desenvolvimento de uma indústria local de processamento de celulose.
Em 1967, fundou a Aracruz Florestal. A Aracruz Celulose foi constituída cinco anos depois. A primeira planta da companhia, chamada de Fábrica A, chegou a produzir 525 mil toneladas por ano.
Foi a primeira empresa brasileira listada na Bolsa de Valores de Nova York e a única empresa florestal do mundo a participar inicialmente do Índice Dow Jones de Sustentabilidade.
Após mais de 30 anos de atuação na gestão da companhia, o Grupo Lorentzen vendeu em 2008 a sua participação para o Grupo Votorantim, o que resultou na criação da Fibria - que, após a fusão concluída em 2019, agora faz parte da Suzano.
Em nota, o presidente do conselho de administração da Suzano lamentou a perda e destacou o pioneirismo do empresário norueguês.
"Erling Lorentzen tem seu nome marcado na história do setor de celulose global e na indústria brasileira de modo geral. Antes mesmo de fundar a Aracruz, na década de 1970, já havia contribuído para desenvolver os setores de navegação aquaviária e de gás de cozinha nacionais. Mas foi à frente da Aracruz Celulose, com um olhar que unia Inovação e Sustentabilidade e que viria a ser uma característica da produção de celulose brasileira, que deixou seu nome registrado na história. Pioneiro, corajoso e visionário, dedicou à formação de grandes profissionais a mesma paixão que alimentava pela vela. Por todas essas marcas, será sempre um exemplo para todos nós"
David Feffer - presidente do Conselho de Administração da Suzano

PAIXÃO POR PEDRA AZUL

12/06/2004 - Erling Sven Lorentzen, 81, empresário ex-presidente da Aracruz Celulose em sua casa na Pedra Azul, Domingos Martins.
Erling Sven Lorentzen, 81, empresário ex-presidente da Aracruz Celulose em sua casa na Pedra Azul, Domingos Martins. Crédito: Gabriel Lordêllo/Arquivo A Gazeta/12/06/2004
Além das atividades no ramo da celulose, Lorentzen também se envolveu em negócios agroecológicos, em Pedra Azul, na Região Serrana do Espírito Santo, onde, adquiriu uma fazenda na década de 1980, transformada no ecoparque Fjordland.
À revista Safra ES, o norueguês contou, em 2016, que o encanto por Pedra Azul foi imediato.
"Eu e minha mulher ficamos apaixonados pelas belezas naturais da região, os moradores e a cultura local e por isso adquirimos a propriedade"
Erling Lorentzen - Em entrevista para Revista Safra ES em 2016
Ainda hoje, a família do empresário mantém o espaço, onde cria cavalos da raça norueguesa Fjord, e produz café orgânico artesanal, adubado com esterco dos equinos. Boa parte dos grãos, aliás, é enviado para a Noruega, inclusive para consumo da família real. 

ATRAÇÃO DE NORUEGUESES

A conexão de Lorentzen com o Estado rendeu frutos e deu mais visibilidade ao Espírito Santo, que segue atraindo noruegueses, principalmente para o ramo do petróleo. No ano passado, por exemplo, a empresa Karavan SPE Cricaré adquiriu 27 campos de petróleo no Norte capixaba.

COLEGAS LAMENTAM PERDA

Nesta terça-feira (9), a morte do empresário norueguês foi lamentada por empresários e autoridades políticas do Estado. 
"Erling Lorentzen foi um dos grandes líderes empresariais do mundo na questão de sustentabilidade"
Carlos Roxo - Ex-diretor de Sustentabilidade da Aracruz, contratado em 1990 por Lorentzen
Por meio de suas redes sociais, o governador Renato Casagrande prestou solidariedade aos familiares. "O ES perdeu hj uma das suas principais personalidades. Norueguês, Erling Lorentzen escolheu o ES para radicar seu espírito empreendedor que colocou o Estado na rota desenvolvimento mundial. Aos familiares meu abraço e reconhecimento."
A partida do empresário norueguês também foi lamentada pelo presidente da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) e ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, segundo o qual, o exemplo de Lorentzen de empreendedorismo, busca por sustentabilidade, visão empresarial, representa um marco importante não só do setor, mas também para o Brasil e para a indústria mundial de celulose.
"Hoje o setor de base florestal emprega mais de 3,75 milhões de pessoas no Brasil, é líder mundial em exportação e é protagonista no investimento em novas aplicações e novos produtos de base florestal. Só chegamos até aqui, pois tivemos na nossa fundação líderes como Erling Lorentzen, que mudou o paradigma de um país exportador de commodities sem valor agregado e sem industrialização, inovou no entendimento de que o valor precisa ser compartilhado com a comunidade e com o meio ambiente, e que se não nos anteciparmos ao futuro, ficaremos no passado"
Paulo Hartung - Presidente da Ibá
A presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cristine Samorini, também se manifestou. Segundo a empresária, Lorentzen foi uma das maiores lideranças industriais do Espírito Santo e do mundo. "Sua trajetória permanecerá para sempre como exemplo de inspiração para as atuais e futuras gerações."
"A Federação das Indústrias do Espírito Santo manifesta profundo pesar pelo falecimento do Sr. Erling Lorentzen, uma liderança empreendedora visionária, inovadora e obstinada. Criador da Aracruz Celulose, hoje Suzano, considerada a primeira fábrica de celulose em linha do país, manifestava preocupações socioambientais já nos anos 70. Foi uma das maiores lideranças industriais do Espírito Santo e do mundo. Sua trajetória permanecerá para sempre como exemplo de inspiração para as atuais e futuras gerações. Nossos sentimentos aos amigos e familiares"
Cristine Samorini - Presidente da Findes
Por meio de nota, a Suzano, lamentou a morte, destacando que o nome do empresário está marcado na história do setor de celulose global e na indústria brasileira.
"Erling Lorentzen tem seu nome marcado na história do setor de celulose global e na indústria brasileira de modo geral. Antes mesmo de fundar a Aracruz, na década de 1970, já havia contribuído para desenvolver os setores de navegação aquaviária e de gás de cozinha nacionais. Mas foi à frente da Aracruz Celulose, com um olhar que unia Inovação e Sustentabilidade e que viria a ser uma característica da produção de celulose brasileira, que deixou seu nome registrado na história. Pioneiro, corajoso e visionário, dedicou à formação de grandes profissionais a mesma paixão que alimentava pela vela. Por todas essas marcas, será sempre um exemplo para todos nós"
David Feffer - presidente do Conselho de Administração da Suzano
"Erling Lorentzen foi um dos grandes líderes empresariais do mundo na questão de sustentabilidade"
Carlos Roxo - Ex-diretor de Sustentabilidade da Aracruz, contratado em 1990 por Lorentzen
O ex-presidente da Fibria também falou sobre a perda. "Fez muito pelo setor de celulose do Brasil, introduzindo o eucalipto em larga escala no mercado mundial, cuidando do social, do meio ambiente, da tecnologia e, acima de tudo, do crescimento das pessoas e dos negócios. Ele é dessas pessoas que jamais envelhecem em suas ideias e jamais desistem do progresso para todos”, disse Carlos Aguiar.
"Lorentzen sempre foi um visionário, pioneiro, empreendedor, incansável e, sobretudo, um homem do futuro. Sustentável, íntegro, transparente e humano, levou o nome da Aracruz/Fibria e do Brasil para o mundo"
Carlos Aguiar - Ex-presidente da Aracruz Celulose e depois Fibria
Segundo Walter Lídio, que também atuou na companhia, antes de se tornar presidente da CMPC, Lorentzen foi um exemplo de liderança,e tinha olhar voltado para o futuro.
"Isso passava por entender a importância das pessoas, do cuidado com o social, dos colaboradores e da comunidade. Com essa abordagem trouxe muito para o Brasil, com simplicidade, confiança no próximo e motivação de fazer mais”, disse citando um projeto que o executivo começou a desenvolver em Gana, buscando gerar emprego na região"
Walter Lídio - Presidente da CMPC, empresa do ramo de celulose

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