Médicos do Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba) estão há três meses com os salários atrasados. A informação foi passada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-ES), que explicou que vai abrir uma sindicância para investigar essa demora. O agravante é que o contrato com o instituto que administra a unidade termina na próxima semana.
"Já estão vencidos agosto, setembro e agora outubro, e sem previsão para receber daqui para frente, à medida que eles prestarem serviço", explicou o presidente do CRM-ES, Celso Murad.
O Hospital Infantil de Vila Velha é administrado pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH), que é da Bahia, mas o instituto é investigado por causar um prejuízo, que pode chegar a R$ 37 milhões, segundo o Ministério Público do Espírito Santo. No dia 15 de outubro, a Secretaria de Saúde suspendeu o contrato e os médicos não sabem quem vai pagar a dívida com eles.
Segundo o CRM-ES, o Estado é responsável pelo contrato com o IGH e, por isso, deve assumir o pagamento dos salário atrasados. O Conselho informou que vai abrir uma sindicância para investigar esse atraso e quem vai responder é o diretor técnico do Himaba.
"A sindicância é o processo inicial para a gente saber se houve infração ética ou não. Se ficar suspeito que existe infração ética na sindicância, a gente abre um processo ético-profissional", explicou Murad.
Ainda este mês de novembro, uma nova empresa vai assumir a administração do hospital. É o instituto Gnosis, do Rio de Janeiro.
Cerca de 800 funcionários, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem, estão apreensivos com a mudança. Segundo o Sindicato dos Servidores da Saúde do Estado (Sindsaúde-ES), o emprego está garantido só até a próxima terça-feira (5), quando será assinado o fim de contrato.
O sindicato espera que a próxima administradora contrate os mesmos funcionários. "Eles conhecem como funciona o hospital e estão treinados lá dentro. Então a proposta é de que nenhum desses trabalhadores fique de fora da nossa contratação", explicou a presidente do Sindisaúde, Geiza Pinheiro.
O OUTRO LADO
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado, que esclareceu que a responsabilidade do pagamento aos prestadores do Himaba é exclusiva do Instituto de Gestão e Humanização (IGH) e que está em diálogo com os trabalhadores. A IGH também foi procurada, mas ainda não respondeu.
Com informações da TV Gazeta