ASSINE

Iema aplica dez multas à ArcelorMittal por poluição

Cada multa tem o valor de R$ 270 mil, totalizando R$ 2,7 milhões em multas ambientais

Publicado em 17/07/2019 às 19h32
Vista aérea da Arcelor Mittal Tubarão. Crédito: Divulgação
Vista aérea da Arcelor Mittal Tubarão. Crédito: Divulgação

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) multou a ArcelorMittal em R$ 2,7 milhões por emissão emissão de poluentes no ar. Foram 10 autos no valor de R$ 270 mil cada. A empresa foi notificada nesta quarta-feira (17). Somada a penalidade emitida pela prefeitura da Serra, no último dia 12, a empresa já recebeu um total de R$ 11,7 milhões em multas este mês. As medidas são consequência da reclamação de moradores do bairro Praia de Carapebus, que ha semanas vinham recebendo uma "chuva" de poeira fina e brilhante

Por nota, o Iema informou que visitou a empresa na dia 2 de julho. No local, os técnicos observaram várias irregularidades dentre elas:

- Falha no sistema de drenagem em diversas áreas de disposição de resíduos

- Via de tráfego não umectada, causando ressuspensão do material particulado acumulado

- Emissões fugitivas de material particulado para a atmosfera sem tratamento;

- Eficiência reduzida no sistema de transporte de coque - tipo de combustível - por correia transportadoras, emitindo livremente material particulado para a atmosfera; entre outras.

ASSUSTADOR

Como o Gazeta Online noticiou na semana passada, desde maio, a “chuva” de pó preto com partículas brilhantes tem assustado moradores da Serra. Muitos se preocupavam com a questão da saúde, pois não sabiam do que se tratava o material. A “chuva” era mais visível de madrugada, segundo os moradores. O município diz que houve aumento na procura por serviços de saúde de pessoas com problemas respiratórios relacionados à inalação de partículas.

Poeira preta que atinge o bairro Praia de Carapebus, na Serra. . Crédito: Divulgação
Poeira preta que atinge o bairro Praia de Carapebus, na Serra. . Crédito: Divulgação

No início do mês, tanto a comunidade de Praia de Carapebus quanto a empresa foram vistoriados por técnicos do Iema e da prefeitura da Serra.  Também houve reclamações sobre poluição nas localidades de Cidade Continental e Novo Horizonte. Os três bairros fazem divisa ao norte com o Complexo de Tubarão, onde opera a ArcelorMittal Tubarão.

Durante visita à empresa, em 2 de julho, segundo a prefeitura da Serra, foi constatada e comprovada a presença do mesmo tipo de material, minério de ferro misturado com carvão, tanto nas residências quanto nas dependências da empresa. Também foi identificada nos dois pontos a presença de carepa. A carepa é um material retirado do aço laminado a quente antes que ele seja usado em outros processos. 

Esse co-produto (a carepa) é um dos componentes do que a ArcelorMittal chama de briquete (um prensado de co-produtos). Em comunicado enviado nesta quarta-feira (17), a empresa disse que "possivelmente" o pó brilhante veio do peneiramento desses briquetes e que “ lamenta eventuais incômodos causados à comunidade de Praia de Carapebus”.

No mesmo documento, a ArcelorMittal explicou que o local onde é produzido o briquete - prensado de materiais que “sobram” da produção da empresa, incluindo a carepa - estava em parada programada para obras de investimentos ambientais. Essa paralisação teria ocasionado uma maior concentração de partículas finas, o que levou a uma necessidade de peneiramento maior para que os materiais fossem reciclados internamente.

A empresa afirma que, diferente do que foi divulgado pela prefeitura da Serra, o briquete, que contém carepa, não é material perigoso. “Esclarece que todos os componentes do briquete, incluindo a carepa, são classificados como não perigosos, de acordo com laudos emitidos por laboratório independente, seguindo norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).”

poluição ArcelorMittal

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.