Um dos andares utilizados pela Apex Partners no edifício da Praia do Suá, em Vitória, foi colocado para aluguel no mercado. O espaço, de aproximadamente 270 metros quadrados, fica no 10º andar do prédio, localizado na Rua Desembargador Ferreira Coelho. A locação é anunciada por R$ 24,3 mil mensais e prevê outros R$ 3,5 mil de condomínio.
O valor pedido corresponde a R$ 90 por metro quadrado. Somados aluguel e condomínio, o custo mensal para o futuro locatário chega a R$ 27,8 mil. O imóvel também dispõe de sete vagas de garagem.
O anúncio ocorre após a Apex atravessar uma crise financeira que levou ao afastamento e investigação do fundador e então presidente, Fernando Cinelli, à mudança no comando da companhia e, posteriormente, ao pedido de recuperação judicial.
Procurada pela reportagem para comentar sobre o motivo de colocar o espaço para aluguel, a Apex respondeu que, durante o processo de reestruturação interna para se adequar ao momento que enfrenta, desocupou dois andares, que são de propriedade de terceiros.
Ainda na resposta, o grupo afirma que as operações seguem em outros dois andares já ocupados anteriormente, no mesmo prédio – que conta com o funcionamento de diversas outras empresas.
A descrição do imóvel mostra que o espaço foi preparado para uma operação corporativa. São 33 postos de trabalho em uma área principal, uma sala com outros quatro postos e sala de reuniões. Na unidade, também funcionaram uma sala de podcast e um estúdio destinado a reuniões e entrevistas.
O andar conta ainda com copa, banheiros masculino e feminino, climatização e entrada com reconhecimento facial. Veja as fotos abaixo.
O endereço é o mesmo em que está registrada a sede da Apex Partners Gestão de Ativos. Dados cadastrais da companhia apontam a sede no quinto andar do edifício Apex Empresarial, na Rua Desembargador Ferreira Coelho, 335, na Praia do Suá.
Documentos societários publicados pela empresa também registram o endereço como sede da Apex e de outras companhias ligadas ao grupo. Em documentos divulgados em 2025 e 2026, o quinto andar aparece como endereço de empresas do conglomerado.
A Apex Partners ficou conhecida como uma das principais empresas de investimentos do cenário capixaba e nacional. No dia 6 de agosto, uma investigação interna identificou "inconsistências financeiras na companhia". Como reflexo dessa apuração, Fernando Cinelli, fundador e sócio da Apex, foi afastado do comando, com o diretor financeiro, Eduardo Siqueira.
A Justiça, então, concedeu uma liminar em favor das empresas que compõem a Apex, suspendendo execuções visando a proteger o patrimônio de 178 companhias envolvidas diante de um montante de dívidas que chega a R$ 975 milhões.
A decisão da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória também culminou no bloqueio de todos os bens de Cinelli, na quebra de seu sigilo bancário e na investigação das suas atitudes na empresa, apontadas pela Apex como "gestão temerária e de má-fé".
No dia 14 de setembro, o grupo formalizou o pedido de recuperação judicial. A medida tem como objetivo criar as condições necessárias para uma reestruturação organizada da companhia, com a preservação de seus ativos e a proteção dos interesses dos investidores e credores. A solicitação segue em análise na Justiça para decretar o futuro da empresa.
Atualização
08/10/2026 às 10h20
Após a publicação da matéria, a Apex respondeu à reportagem e confirmou que as salas não eram de propriedade da empresa, apenas alugadas por ela. O conteúdo do texto e o título foram atualizados.