Alvo de operação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) nas últimas semanas, as unidades do supermercado Schowambach estão com as portas fechadas, conforme apurou a reportagem na manhã desta quinta-feira (19/12). Mas, segundo o Sindicato dos Comerciários do Espírito Santo (Sindicomerciários), as lojas não abrem desde quarta-feira (18/12). Na tarde de quinta (19/12), a empresa informou através de redes sociais que reabrirá as unidades nesta sexta.
A empresa é suspeita de colocar a sede e as filiais da marca em nome de laranjas, além de emitir notas fiscais e ter máquinas de cartão de crédito registrados em supostas empresas de fachada, de acordo com investigação do Ministério Público. O órgão suspeita que o dono da rede constituía empresas de fachada para lesar o Fisco.
Na loja da Avenida Maruípe, em Vitória, os portões do estabelecimento estão fechados e não há nenhum tipo de comunicado sobre o fechamento.
Já na filial do Centro de Vitória, um aviso pregado na porta diz: "Atenção, senhores clientes: não abriremos hoje". O comunicado não revela o motivo do fechamento. Clientes dessa loja afirmam que ela também não abre há dois dias.
Em Campo Grande, clientes que foram ao supermercado na manhã desta quinta-feira (19) se depararam com um cartaz avisando que a unidade deve reabrir somente às 14h30. Geisa Mara de Araújo, ambulante de Viana, fez uma compra de R$ 300 na unidade na terça-feira (17), mas ainda não recebeu o que comprou em casa. Ela voltou ao local para buscar satisfação sobre o atraso na entrega.
"Vim aqui tentar resolver porque minha compra que não chegou. Trabalho com barraca e dependo da compra pra trabalhar. Ninguém me atende no telefone. Eles poderiam pelo menos dar uma satisfação para o cliente. Vou ter que refazer a compra em outro supermercado, mas vou registrar um BO", reclama.
O Ministério Público e a Secretaria Estadual da Fazenda foram demandados e informaram que não solicitaram o fechamento das lojas.
A reportagem também tentou ligar várias vezes para as unidades do Schowambach e buscou contato, ainda, com o gerente-geral da rede, João Batista Pupim. Nas lojas, ninguém atendeu os telefonemas e Pupim não foi localizado.
Nourival Schowambach, dono da rede, também não retornou aos contatos da reportagem. Uma funcionária dos Recursos Humanos da empresa, que atendeu o telefone, disse não ter autorização para passar informações.
A Gazeta fez contato com o Sindicomerciários, que informou ter sido comunicado pelo setor de recursos humanos da rede Schowambach de que os supermercados estão com "problema no sistema" e que as lojas devem reabrir durante a tarde. A empresa, de acordo com o sindicato dos trabalhadores, não informou qual seria esse problema.
A INVESTIGAÇÃO
No início do mês, agentes do Ministério Público cumpriram mandados de busca e apreensão nas três sedes do Schowambach.
O MPES aponta que o empresário, que não teve o nome divulgado pelos promotores, vem há anos utilizando laranjas para constituir empresas, com o objetivo de fugir da responsabilidade sobre os débitos tributários contraídos por elas.