A Justiça Estadual homologou o plano de recuperação judicial da Gráfica Espírito Santo, localizada no bairro Consolação, em Vitória. A proposta foi aprovada por credores da empresa, uma das mais antigas do Estado e que completou 40 anos em 30 de julho deste ano.
A decisão, publicada na segunda-feira (17), foi do juiz Leonardo Mannarino Teixeira Lopes, da Vara de Recuperação Judicial e Falência, da Capital.
Na sentença, ele alega que a companhia ficará nessa situação até o cumprimento das obrigações abrangidas no plano de restruturação econômico-financeiro, que vencerá daqui a dois anos.
A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em 2011, alegando diversos impactos em suas finanças após a turbulência financeira mundial de 2008 e 2009, conhecida como a crise do subprime, época em que também perdeu clientes importantes para sua sobrevivência.
O problema começou em 2003, quando o principal cliente da gráfica decretou falência sem pagar os serviços contratados. Essa situação prejudicou o capital de giro e a liquidez da companhia capixaba.
Após conseguir um contrato com uma multinacional para se recompor da perda do cliente anterior, a gráfica alegou à Justiça que acabou sendo esmagada por exigências de preços competitivos e que tiveram impacto significativo na margem de lucro.
Em 2010, no entanto, a companhia consumidora acabou encerrando o vínculo. Assim, a Gráfica Espírito Santo acabou sofrendo mais um baque em seu caixa.
Na sentença, o juiz decidiu que os imóveis do grupo e outros bens que forem alienados por outras esferas judiciais precisam passar pelo crivo da Vara de Recuperação Judicial para evitar conflitos de interesse.
O magistrado também explicou que instituições financeiras, credoras da gráfica, não poderão usar os créditos cobrados da empresa capixaba como prejuízo nos balanços dos bancos. Ele explica que, segundo a Receita Federal, a medida é uma manobra fiscal e que poderá implicar em sanções.
O QUE DIZ A EMPRESA
O diretor da Gráfica Espírito Santo, Dário Cruz, por e-mail, lembrou que a empresa é antiga e tradicional no mercado e que vai manter as operações, buscando novos negócios.
"Pedimos a recuperação há alguns anos para poder manter a sobrevivência dela. Procuramos manter os empregos e manter os tradicionais clientes. Estamos buscando novos negócios no nosso ramo e novos clientes. Vamos continuar, sim, nossas operações e trabalhando com afinco para fazer jus ao crédito que nos foi dado pelos nossos credores e a Justiça", informou.