Importada do calendário estadunidense mas já consolidada no calendário do comércio brasileiro, a Black Friday é a época em que os consumidores aproveitam os preços mais baixos para adquirir aqueles produtos mais desejados. Neste ano, porém, as promoções podem não ser tão atraentes.
Isso porque a falta de contêineres para transporte de insumos e mercadorias, que já afeta a exportação de produtos do Espírito Santo para outros países, também já tem dificultado a entrada de mercadorias importadas. E a escassez de mercadorias pela demora do transporte e o aumento do valor do frete podem impactar diretamente os preços.
A Black Friday acontece neste ano no dia 26 de novembro, sendo que os produtos mais buscados no período são tradicionalmente os eletrônicos.
Celulares, laptops, televisões e outros aparelhos eletrônicos, estão entre os tipos de produtos mais importados pelo Espírito Santo, ocupando o terceiro lugar no ranking de importações (11,84% do total), segundo dados do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado (Sindiex). Em valores negociados, a chegada de eletrônicos nos portos capixabas só perde para a importação de veículos e combustíveis.
Mas, trazer esses produtos para o Estado tem custado cada vez mais caro. Para as empresas capixabas que importam produtos, o custo do frete aumentou cerca de 600%. De acordo com o diretor do Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), Ilson Hulle, fretes para China e Estados Unidos, que antes da pandemia giravam em torno de US$ 2 mil, hoje custam cerca de US$ 12 mil.
Terminal Portuário de Vila Velha
O economista Eduardo Araújo, que é membro do Conselho Federal de Economia, explica que trata-se de um problema em cadeia. Se está mais caro para os comerciantes importar, os preços vão ficar mais caros também para os consumidores finais.
"Nesse período de fim de ano, é quando se tem uma procura muito grande por produtos importados, principalmente eletrônicos. Mas se os custos de frete estão mais altos, isso pode trazer um encarecimento no preço dos produtos"
Além do aumento do frete, o tempo de espera para a chegada de importados pelo comércio também aumentou. Segundo o vice-presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio), João Elvécio Faé, o tempo do transporte quase dobrou.
“Nós também enfrentamos uma demora muito maior. O que demorava 60 dias para ser transportado, hoje, demora de 90 a 120 dias”, relatou.
Segundo ele, os setores mais afetados do comércio capixaba são os de eletrônicos, eletrodomésticos e o automobilístico. Para não faltar produto, os comerciantes precisaram se antecipar.
“Os comerciantes se anteciparam, e também ainda tem um estoque de produtos. Então ainda não é uma preocupação da Fecomércio que falte para as vendas de fim de ano”, disse o vice-presidente.
Mas a demora da entrega também é um fator que determina o aumento dos preços, segundo o presidente do Sindiex, Sidemar Acosta.
“Com a falta de contêineres, o tempo de espera para a chegada de produtos ou insumos demora mais, atrasando a produção. Tudo isso forma uma cadeia que, infelizmente, chega ao consumidor final. Temos que nos preparar para o aumento de preços nos próximos meses, isso será inevitável”, aponta.
VEJA OS PRODUTOS QUE PODEM FICAR MAIS CAROS
ELETRÔNICOS
- Smartphone
- Televisão
- Laptops (computadores)
- Consoles de videogame
ELETRODOMÉSTICOS
- Geladeira
- Fogão
- Micro-ondas
- Fritadeira elétrica
- Ventilador
- Ar-condicionado
- Lavadora
- Liquidificador
PROBLEMA MUNDIAL
A falta de contêineres não é um problema que afeta somente as importações e exportações capixabas. O diretor do Terminal Portuário de Vila Velha (TVV) explica que esse é um problema mundial, reflexo da reabertura do mercado internacional com pandemia do coronavírus já sendo controlada na maioria dos países.
“O mercado global marítimo vem passando por um momento de escassez de contêineres, especialmente, em mercados internacionais como Estados Unidos, Europa e China. Esse é um problema global e não proveniente da infraestrutura portuária do Espírito Santo”, explica
Segundo o diretor, a expectativa é de que esse cenário melhore somente a partir do 2° semestre de 2022. Os líderes na indústria de contêineres estão no continente asiático e novas levas de contêineres estão previstas para serem produzidas e entregues no ano que vem.
“Estamos entrando em um novo panorama pós-pandemia, onde além da reabertura dos mercados, também temos o aumento de compras on-line. Não temos poder de produção de contêineres no país, então o que estamos fazendo é nos preparar para esse novo fluxo”.
O Terminal Portuário de Vila Velha informou que tem realizado uma expansão com investimentos da ordem de R$ 120 milhões em novos equipamentos, como guindastes de movimentação de contêineres e novas empilhadeiras. Além de 40 novos colaboradores contratados somente este ano.