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Medo a cada esquina

Vitória: violência no Território do Bem afeta liberdade e reprime talentos

Quem vive na região temem não conseguir sair desse momento e perderem também o potencial de crescimento econômico e cultural do local

Publicado em 21 de Outubro de 2023 às 09:57

Mikaella Mozer

Publicado em 

21 out 2023 às 09:57
Em Vitória
As ações policiais com o apoio aéreo do Notaer tem sido constantes na região do Território do Bem, em Vitória Crédito: Divulgação | Polícia Militar
Ônibus sem circular, rajadas de tiro e comércios fechados são vivências dos últimos dias de quem mora no Território do Bem - região do município de Vitória que engloba oito comunidades. Isso porque os locais vivem um momento de insegurança com a presença da criminalidade e disputa entre organizações criminosas. Mesmo em momentos sem tiroteiro, quem anda pelas rua vê as marcas do que vem se tornando o dia adia: marcas de balas nas paredes e portões.
Só nas últimas duas semanas, em Itararé, um adolescente foi assassinado em frente a uma escola e moradores acordaram com tiroteio, um tiro quebrou o vidro da janela de uma casa em Tabuazeiro e um homem de 30 anos foi baleado enquanto estava em um churrasquinho no Morro do Macaco. O Território do Bem, que engloba as comunidades de Itararé, Jaburu, Bairro da Penha, Bonfim, Engenharia, Consolação, Floresta, Gurigica e São Benedito, na Capital.
Todas as situações tiram o sossego, a calmaria e o direito de ir e vir com segurança de quem vive na região, garantida pelo artigo 5 da Constituição de 1988.  Uma moradora que não quis se identificar, desabafou sobre o impacto psicológico causado pelos momentos de tensão a produção da TV Gazeta.
"As pessoas param de circular nas ruas, deixam de ir na igreja por conta do medo, do pânico. E cada vez está ficando mais intenso o tiroteio, atacando o psicológico das pessoas das crianças"
Morador do Território do Bem - Desconhecido
A saúde mental é um dos principais pontos lembrados pelos afetados e foi reforçado pelo Vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica, Padre Kelder. Em entrevista ao repórter da TV Gazeta Diony ele contou sobre uma situação onde uma menina de sete anos não conseguia falar e respirar após passar por um dia de tiroteio.
“A mãe dela e a criança de sete anos chegaram a ser panicadas. Estavam extremamente traumatizadas com a cena que elas acabaram de presenciar. A criança colocava a mão no coração porque não conseguia falar. Um dos adolescentes assassinado recentemente em frente a uma escola no horário que elas estavam saindo. Ontem quando as crianças chegaram na escola Rubens Duarte o que elas viram lá? cápsulas e mais cápsulas”, contou o Padre.

Investimento e proteção

A sensação de desperdício da potência econômica, social, cultural e do talento de quem mora nesses bairros predomina em muitos moradores. Em um áudio, um outro morador - que também não quis ser identificado - se mostrou revoltado com o que pode estar sendo perdido e pela imagem ruim que as ocorrências passam dos moradores para quem é de fora.
Para a pessoa, o conteúdo existente no bairro pode contribuir positivamente para a construção da sociedade capixaba. “Tem pessoas super potentes aqui, somos pessoas excelentes, pessoas que são universitárias, artistas, todo tipo de gente boa”, lembrou.
"Não adianta encher o bairro de policiais fortemente armados, várias viaturas, aqui não é desfile de sete de setembro. nós gostaríamos do nosso bairro de volta, a paz que nós queremos, estamos de mãos dadas e juntos vamos promover aqui dentro da comunidade para que possa construir novas perspectivas"
Morador do Território do Bem - Desconhecido
Como forma de mudar o ambiente e ir em direção a momentos mais tranquilos, Organizações Não Governamentais (ONGs), Igreja Católica, igrejas evangélicas, junto às comunidades estão se unindo pelo Panelaço da Paz. O evento vai acontecer ao meio- dia neste domingo (22) com todos batendo nas panelas e as enfeitando com tecidos coloridos e flores. A intenção é retornar com a liberdade de apenas estar na janela observando o ambiente.
“Vamos transformar as janelas num espaço de paz. Normalmente, nessas situações de tiroteio, as pessoas se afastam delas. Agora elas serão um altar da paz, é assim que eu estou chamando. Antigamente, quando acontecia eclipse, em algumas culturas, as pessoas faziam barulho para afastar 'o monstro que devoraria' a lua ou o sol. Nossa ideia é afastar esse monstro da violência”, explicou o Padre.

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