Publicado em 27 de abril de 2022 às 18:05
Nos últimos cinco anos o consumo de bebidas alcoólicas em Vitória aumentou cerca de 159%, conforme apontam dados do Ministério da Saúde. Em 2021, inclusive, a cidade foi a segunda capital do País com maior incidência de ingestão abusiva de álcool, o que representa 23,3% da população adulta. >
Os dados são da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2017 a 2021. O estudo considera os moradores das capitais brasileiras que consumiram quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas no caso das mulheres, e cinco ou mais doses no caso dos homens, em uma mesma ocasião.>
Segundo o último levantamento realizado, Vitória só ficou atrás de Belo Horizonte, onde 25,20% dos moradores ingeriram vinho, cerveja, cachaça, uísque ou qualquer outra bebida alcoólica. Em terceiro lugar no ranking, aparece Cuiabá, com 23,2%.>
Além disso, a porcentagem de homens que fizeram o uso da bebida na Capital Capixaba no ano passado foi de 32,6%, enquanto o índice das mulheres ficou em 15,3%.>
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Embora os números de 2021 tenham chamado a atenção pelo alto índice, esse crescimento já é observado há anos. Vitória, que em 2017 ficou classificada em 10º lugar no mesmo ranking, também esteve no segundo lugar em 2018. Em 2017, 19,7% dos capixabas ingeriram bebida em excesso. No ano seguinte, o número pulou para 22,4%, segundo maior do País, junto a Belo Horizonte. >
Já em 2019, esse valor sofreu uma queda de cerca de 3,17%, mas permaneceu na média estipulada. A ingestão voltou a crescer pouco tempo depois, em 2020, quando foi registrado 21,1% de consumidores de álcool na Capital.>
A psiquiatra Letícia Mameri aponta que um dos principais fatores para esse valor acumulado foi a pandemia. Isoladas em casa, as pessoas passaram a exagerar na ingestão da bebida, com o intuito de aproveitar o tempo livre e suprir as angústias provocadas pelo período.>
Letícia Mameri
PsiquiatraPorém, conforme ela explica, é preciso ficar atento aos prejuízos que essa prática abusiva traz, já que existe uma relação cientificamente comprovada entre a bebida e a piora da saúde mental da população — assim como do agravamento das situações de violência urbana.>
"Socialmente, o álcool tem um impacto negativo muito grande. Quase todos os problemas urbanos, como violência doméstica, acidente de trânsito e abusos, possuem o envolvimento da bebida alcóolica. E esse consumo está associado à condição psíquica das pessoas. Quanto mais bebemos, maior a chance de desenvolvermos um quadro depressivo e se tornar uma dependência. Antes da pandemia, já éramos o povo mais ansioso do mundo. Essa situação vai se tornando crônica", avalia. >
Para o nefrologista e PhD em Dependência Química João Chequer, além dos riscos psiquiátricos, o álcool também é um dos responsáveis pelo surgimento de cânceres, cirrose, diabetes, entre outras doenças. "Por ser muito tóxico, o álcool mexe no corpo inteiro. Não tem uma parte que não fique lesada com o seu uso prolongado. Ele atinge vários órgãos vitais para as pessoas", alerta.>
"Estatisticamente, cerca de 20% da população faz uso de álcool, mas socialmente. Desse total, cerca de 10% vai se tornar bebedor abusivo em algum momento da vida, o que representa a metade. Isso é preocupante", completa.>
De acordo com Chequer, o crescimento do consumo de álcool especificamente na Capital se deve a três principais motivos: o trânsito de turistas ao longo do ano, a movimentação de estudantes universitários e, agora, o surgimento da Covid-19.>
"Vitória é uma cidade universitária que tem uma grande quantidade de faculdades e universidades. Os estudantes, de um modo geral, consomem um percentual mais elevado de álcool, o que pode ter contribuído para esse aumento. Além disso, é uma ilha frequentada por muitos turistas, principalmente no verão e em feriados. Durante esse vai e vem de pessoas, pode ser que ocorra alguns picos de consumo", afirma.>
Percentual anual de adultos que consumiram quatro ou mais doses (mulher) ou cinco ou mais doses (homem) de bebida alcoólica em uma mesma ocasião:
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