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Publicado em 22 de junho de 2021 às 18:23
De um importante imóvel às margens do Rio Itapemirim sobrou apenas uma parede, que hoje se encontra em ruínas e está de pé por força de escoras. O chamado ‘Trapiche de Marataízes’, no Litoral Sul do Espírito Santo, foi durante o século XIX um importante centro comercial para os negócios da Vila, com mercadorias que dali partiriam rumo a outros países, em embarcações. >
A historiadora Laryssa Machado conta que o Porto da Barra de Itapemirim pertencia à então província de Itapemirim, que na época, era o principal porto de exportação do Estado para a cana de açúcar — e depois, na década de 40, para o café que vinha do interior. As mercadorias chegavam até o porto e dali seguiam para o Rio de Janeiro.>
O volume comercial era grande e, vendo a possibilidade de lucro, o Barão de Itapemirim construiu o trapiche — nome dado a um armazém que servia para estocar mercadorias. “O casarão foi construído por conta da atração de grandes negociações entre comerciantes, e não existia um prédio comercial para isso ali. O Barão de Itapemirim começou a construção em fevereiro de 1857. Depois, na década de 80, surgiu o segundo andar do imóvel”, conta a historiadora.>
Trapiche de Marataízes
Laryssa Machado conta que o local, além de armazém para depósito das mercadorias, era uma mesa de rendas (unidades menores do governo para cobrança de impostos em portos de pouco movimento). >
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“O porto perdeu sua importância por conta do assoreamento do Rio Itapemirim e a construção das estradas de ferro. Acabou se tornando um terminal pesqueiro. O imóvel chegou a ser saqueado, sofreu um incêndio criminoso no final dos anos 80 e foi se deteriorando, com a queda de partes da estrutura”, relembra a historiadora. >
Depois de ser propriedade do Barão, o local foi vendido a outros proprietários e os últimos herdeiros foram a família Soares. Os Soares doaram o imóvel à prefeitura de Marataízes em 1998. O imóvel foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura, no mesmo ano.>
Para não deixar parte da história morrer, um grupo de moradores organiza nas redes sociais um abaixo-assinado online para que algo seja feito ao local. “Houve descaso tanto do poder público quanto da população. Nossa intenção é chamar a atenção e mobilizar para que o poder público agilize alguma intervenção, uma obra para que o que hoje ainda existe não se perca”, disse.>
Procurada pela reportagem de A Gazeta, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) informou que a primeira parte do projeto de reurbanização da área do Trapiche, desenvolvido pela Prefeitura de Marataízes, foi aprovada pelo Conselho Estadual de Cultura. Explicou que esta parte corresponde à proteção da estrutura da ruína, e a Secult aguarda o recebimento do restante do projeto para prosseguir a análise. >
A prefeitura, por sua vez, disse que com a aprovação da Secult, o projeto deve ser licitado em breve. O custo da obra deve ficar em torno de R$ 1 milhão. O projeto, segundo a prefeitura, prevê inicialmente, como medida emergencial, a salvaguarda para consolidação da estrutura que já existe e precisa ser preservada. Na sequência, deve ser feita a revitalização do entorno, com áreas de convivência, totens para contar a história do local e paisagismo.>
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