O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022 apontou que o Espírito Santo teve redução no número de mortes violentas intencionais. Foram 1.122 óbitos no ano passado, contra 1.170 em 2021, uma redução de 4,8%. O estudo apontou também que o Estado não tem nenhuma cidade entre as 50 mais violentas do país.
Para o secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, essa redução de casos reforça a importância do combate à criminalidade, tendo a retirada de armas de circulação como uma meta a ser buscada pelo governo.
"É o instrumento que mais mata, pois 80% dos homicídios são cometidos com arma de fogo. Então, temos que retirá-las de circulação", afirma.
'Temos que tirar armas de circulação para reduzir homicídios', diz Ramalho
O desafio de tirar as armas de circulação é ainda maior porque o Espírito Santo é o segundo do país com maior aumento no registro de posse de armas, segundo dados apontados pelo Anuário. O número passou de 14.044, em 2017, para 64.651, em 2022, um crescimento de 381%. O Estado fica atrás apenas do Distrito Federal, que teve aumento de 577,7% nesse período.
Segundo Ramalho, boa parte dessas armas acaba em mãos ilegais e comercializadas para o tráfico.
"As investigações apontam a expansão da concessão dessas armas e ainda temos a entrada ilegal pelas fronteiras de países vizinhos. É um desafio principalmente para o governo federal. Também pedimos o apoio com a nossa divisa de Estados, onde ainda permeiam a entrada dessas armas e de drogas, que fomentam toda a questão do homicídio", destaca Ramalho.
Para o secretário de Estado de Planejamento, Álvaro Duboc, os resultados do anuário mostram que a segurança segue sendo um grande desafio para o país e para o Espírito Santo. "Percebemos que alguns Estados conseguiram caminhar. O Espírito Santo é um deles. Mas essa é uma tarefa que não está superada. É um desafio diário e exige da equipe pensar estratégias e inovações para enfrentar a criminalidade", diz.
Duboc destaca que alguns fatores impactam diretamente a questão da segurança pública, como a disponibilidade de armas e munições, tanto no ponto de vista do enfrentamento dos profissionais de segurança quanto a sociedade como um todo.
"Outra estratégica é focar na busca das armas que estão nas mãos de criminosos. Nós apreendemos, em média, 4 mil armas por ano, uma média de mais de 300 armas por mês. São muitas armas que ainda estão nas mãos de criminosos e nossos agentes policiais têm isso como meta no dia a dia quando saem para seu dia de trabalho", afirma Duboc.
Casos de estupro
Outro dado apontado pelo Anuário da Segurança Pública é o crescimento de 21,9% do número de mulheres vítimas de estupro. No ano passado, houve 1.366 ocorrências no Estado, contra 1.113 em 2021. Os dados, nesse caso, levam em consideração mulheres adultas e meninas.
Esse tipo de crime ainda é considerado pelo governo um desafio e fruto de uma cultura machista. Segundo Alexandre Ramalho, algumas políticas públicas já existentes visam à redução desses números, como a criação da Secretaria da Mulher.
"Lamentavelmente, esse crime acontece numa proximidade entre vítima e autor muito grande. Nós não temos, às vezes, como impedir que aconteça. Existe ainda uma cultura muito machista no Estado. Temos que reverter isso, com o apoio da educação da família e da igreja abordando esses temas", afirma.