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Solidariedade

Tatuadores voluntários cobrem cicatrizes de mulheres vítimas de violência no ES

Projeto que já atendeu mais de 300 mulheres que tiveram câncer de mama, tatuando as cicatrizes deixadas pela doença, agora ajuda também a vítimas de violência
Caroline Freitas

Publicado em 

13 fev 2022 às 13:17

Publicado em 13 de Fevereiro de 2022 às 13:17

Não raramente, mulheres vítimas de violência carregam não apenas na memória, como no corpo, as marcas do que enfrentaram no passado. Em um ato de solidariedade, tatuadores voluntários do Espírito Santo têm ajudado aquelas que assim desejarem a esconder as cicatrizes provocadas pelas agressões.
O projeto já havia atendido, antes disso, cerca de 320 mulheres vítimas do câncer de mama no Espírito Santo, tatuando as cicatrizes deixadas pela doença, mas agora passou a atender também a esta nova demanda, conforme mostrou a TV Gazeta.
Tatuadores voluntários cobrem cicatrizes de mulheres vítimas de violência no ES
Tatuadores voluntários cobrem cicatrizes de mulheres vítimas de violência no ES Crédito: TV Gazeta/Reprodução
A tatuadora Flavinha, uma das responsáveis pelo trabalho, que busca usar a arte como uma forma de amenizar as lembranças das dores sofridas, também carrega um trauma ligado à violência doméstica desde a infância.
"A gente sente a dor delas na hora que elas estão contando e é impossível não se emocionar. Só quem vivenciou, um filho que presenciou ou uma mulher que sofreu isso sabe o quanto dói", afirmou, em entrevista à TV Gazeta.
Violência contra a mulher: tatuadores voluntários cobrem cicatrizes de vítimas no ES
Violência contra a mulher: tatuadores voluntários cobrem cicatrizes de vítimas no ES Crédito: TV Gazeta/Reprodução
As tatuagens, que são feitas em parceria com o marido de Flavinha, o tatuador Kiko, em geral buscam representar o renascimento das vítimas. "É claro que a marca da alma não tem como apagar, mas minimiza um pouco a dor, acredito", disse a tatuadora.
Violência contra a mulher: tatuadores voluntários cobrem cicatrizes de vítimas no ES
Violência contra a mulher: tatuadores voluntários cobrem cicatrizes de vítimas no ES Crédito: TV Gazeta/Reprodução
A esteticista Márcia Freitas de Carvalho foi uma das contempladas pelo projeto. Ela levou 18 pontos depois de sofrer violência doméstica do ex-companheiro, aos 53 anos. Mas somente após a segunda agressão, anos depois, é que conseguiu reunir forças para se separar. Na ocasião, a filha dela também foi ferida.
"[A tatuagem] ameniza porque eu não vou mais ver tão nítida essa imagem. É algo tão bonito o que ela [Flavinha] está fazendo... Vai representar, pra mim, Deus, natureza... vai me dar meu lado espiritual, vai falar muito comigo", explicou à TV Gazeta.

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