Desde que o primeiro caso de coronavírus foi registrado no Espírito Santo, no dia 5 de março, mais de 105 mil pessoas foram contaminadas e 120 mil notificações descartadas. No entanto, ainda há quase 90 mil casos suspeitos de Covid-19 no estado. Isso significa que eles não foram nem confirmados e nem descartados.
Esses números estão disponíveis no Painel Covid, plataforma lançada pelo Governo do Espírito Santo para divulgar os dados sobre a pandemia no estado.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), todo paciente que dá entrada no sistema de saúde com sintomas gripais gera uma notificação e o caso passa a ser investigado.
Mas, no início da pandemia, os critérios técnicos para confirmar ou descartar a doença eram diferentes e, por isso, dificilmente os casos suspeitos serão zerados.
"Lá no começo, a gente tinha um determinado critério para a coleta de exames e, depois, esses critérios foram ampliados. Na época, os profissionais de saúde não tinham conhecimento da doença para fazer o diagnóstico clínico e colocavam o caso como suspeito. Hoje, nós conseguimos fazer um processo de investigação epidemiológica e buscar, com exames específicos, fazer essa confirmação"
Atualmente, o resultado do exame costuma sair, no máximo, em até cinco dias.
Ainda segundo a chefe da vigilância epidemiológica, uma das razões para o alto número de casos suspeitos é o fato de um mesmo paciente poder registrar várias notificações.
"Ainda temos casos de pessoas que procuram o sistema de saúde mais de uma vez. Então, a mesma pessoa, no mesmo período clínico, tem três notificações"
A epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel, enfatiza que todos os dados sobre a doença precisam ser estudados para que auxiliem na criação de políticas de combate à doença.
Não basta só sabermos se a pessoa teve ou não Covid, precisamos de informações sobre quem são essas pessoas, onde elas moram e se elas estão procurando atendimento público ou privado. A gente precisaria de uma investigação melhor do que a gente encontra nos dados disponíveis, disse Ethel.
Esses dados, segundo a epidemiologista, são importantes também para ajudar na decisão sobre a volta às aulas. Um grupo de estudo da Ufes que a professora faz parte usa essa investigação para entender o comportamento da doença entre os mais jovens.
Nós queremos entender quem são essas crianças notificadas, o que elas tinham e, por conta dessa possibilidade de retorno, entender quais são os problemas para essa faixa etária, explicou a professora.